O município de Macajuba foi reconhecido com o Selo Prata do Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, iniciativa do Ministério da Educação (MEC) que valoriza estados e municípios que desenvolvem políticas públicas eficazes voltadas à alfabetização das crianças na idade certa.
A certificação integra o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada (CNCA), programa que tem como objetivo garantir que todos os estudantes estejam alfabetizados até o final do 2º ano do Ensino Fundamental, além de apoiar a recomposição das aprendizagens impactadas nos últimos anos.
O Selo é concedido em três categorias — Ouro, Prata e Bronze — e avalia critérios como a implementação de políticas de alfabetização, formação continuada de professores e gestores, distribuição de materiais didáticos e monitoramento dos resultados educacionais.
Ao conquistar o Selo Prata, Macajuba demonstra avanço e compromisso com a qualidade da educação pública, refletindo o trabalho conjunto da gestão municipal, da Secretaria Municipal de Educação, Esporte, Cultura, Lazer e Turismo, das equipes pedagógicas e de toda a comunidade escolar.
A conquista reafirma o investimento contínuo na educação como ferramenta de transformação social e construção de um futuro com mais oportunidades para as crianças do município.
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Especialistas destacam que infecções como clamídia, gonorreia, hepatites e HIV podem evoluir de forma silenciosa e só serem identificadas por exames laboratoriais, mesmo semanas após a exposição.
Após o carnaval, especialistas alertam para ISTs sem sinais aparentes e defendem testagens — Foto: Freepik
O período pós-Carnaval costuma acender um alerta para a saúde sexual. Muitas infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) podem evoluir sem sintomas claros — e, por isso, a testagem é essencial para identificar casos e evitar a transmissão.
As ISTs incluem infecções como HIV, sífilis, hepatites virais, HPV, clamídia e gonorreia. Embora tenham características diferentes, muitas podem evoluir de forma silenciosa, especialmente nas fases iniciais.
Por que muitas ISTs não dão sintomas
O infectologista Julio Croda explica que, em muitos casos, a infecção se instala em regiões do corpo onde ocorrem apenas inflamações leves, que passam despercebidas.
“Muitas ISTs se instalam na mucosa genital, anal ou oral. Causam uma inflamação leve ou localizada e o corpo geralmente tolera bem. Então não gera dor, não gera febre e eventualmente não gera nenhum tipo de secreção ou corrimento evidente”, diz.
Segundo Croda, os sintomas também podem ser discretos ou aparecer semanas após a exposição. Em alguns casos, podem surgir e desaparecer, o que faz com que muitas pessoas adiem a procura por diagnóstico.
“Existe uma falsa sensação de segurança quando não há sintomas. Muitas ISTs evoluem de forma silenciosa e só são identificadas por meio de exames laboratoriais. A testagem é fundamental - tanto para o cuidado individual quanto para interromper a cadeia de transmissão”, acrescenta a infectologista Maria Isabel de Moraes-Pinto, do Lavoisier, laboratório da Dasa.
Quais infecções costumam passar despercebidas
Entre as ISTs frequentemente associadas à ausência de sintomas estão clamídia e gonorreia, principalmente em mulheres, além de infecções na garganta e no reto.
Croda também destaca que outras doenças podem permanecer silenciosas por longos períodos.
“A hepatite B e C, eventualmente HIV e sífilis podem apresentar formas bem assintomáticas”, afirma.
Ele explica que o HIV, por exemplo, pode provocar sintomas parecidos com os de uma gripe na fase inicial — ou não causar sinal perceptível.
O herpes pode ter períodos sem lesões e, a sífilis, pode começar com uma ferida pequena e indolor que desaparece sozinha.
Mesmo sem sintomas, a transmissão pode acontecer
A ausência de sinais não significa ausência de risco. Segundo Croda, os microrganismos responsáveis pelas ISTs podem estar presentes em secreções ou mucosas mesmo quando não há lesões visíveis.
No HIV, por exemplo, uma pessoa com carga viral alta na fase inicial – e ainda sem o tratamento adequado - pode transmitir a infecção.
Croda acrescenta que bactérias como as que causam clamídia e gonorreia também podem ser eliminadas sem que a pessoa perceba.
Os sinais que muitas pessoas ignoram
Quando aparecem, os sintomas nem sempre são claros. Pequenas alterações podem passar despercebidas ou ser atribuídas a outras causas.
Entre os sinais possíveis estão:
•ardor ao urinar
•corrimento discreto
•coceira
•dor pélvica discreta
•aumento de ínguas nas virilhas
•pequenas verrugas ou feridas indolores na região genital
•dor e secreção anal
•dor na relação anal
•dor de garganta persistente após o sexo oral
“Os sintomas muitas vezes vão e voltam. Como não são tão evidentes, as pessoas acabam postergando a testagem e o tratamento”, diz Croda.
Quais exames podem ser indicados
A escolha dos exames depende do tipo de exposição e da avaliação médica. Em geral, após uma relação desprotegida, podem ser indicados exames de sangue para HIV, sífilis e hepatites virais.
Mas todos os testes sorológicos têm uma janela imunológica — período entre a exposição ao vírus e a possibilidade de detecção no exame.
Moraes-Pinto explica que a orientação médica é essencial para definir o momento da testagem e a necessidade de repetir exames. Dessa forma, o médico avalia o tipo de exposição, o tempo decorrido e indica os exames adequados, de forma personalizada.
Quando o paciente tem múltiplos parceiros e não usa preservativo, também costumam ser incluídos nessa testagem a clamídia e a gonorreia. Nesses casos, é feita a coleta de material A PARTIR DE LESÕES em locais de exposição, principalmente na região genital, anal e oral, explica Croda.
“Em mulheres sempre é importante fazer o rastreio do HPV e do câncer do colo de útero e seguir as recomendações ginecológicas a depender da sua faixa etária”, acrescenta o médico.
No caso de herpes, quando há lesão, é feito principalmente o exame de PCR com coleta de material a partir da lesão.
O que é considerada situação de risco?
O risco aumenta quando a relação sexual ocorre sem preservativo, seja ela vaginal, anal ou oral; quando há múltiplos parceiros ou quando há um parceiro novo. Mas principalmente em todas essas condições em que não há uso de preservativo e o parceiro não testa com frequência, diz Croda.
O histórico prévio de IST é um fator de risco para ter outras DSTs.
Sexo em grupo, rompimento ou uso incorreto do preservativo também são consideradas situações de risco.
A relação anal receptiva, em especial, tem maior risco para algumas infecções, inclusive HIV, pelo maior risco de microlesões.
Além disso, o uso de álcool e drogas reduz a percepção de risco e está associado a relações desprotegidas.
Os riscos de não diagnosticar uma IST
Deixar uma infecção sem diagnóstico por meses ou anos pode trazer consequências importantes, que variam conforme a doença.
Croda explica que infecções bacterianas, como clamídia e gonorreia, podem causar doença inflamatória pélvica, infertilidade e complicações na gestação.
Já algumas infecções virais podem evoluir para quadros mais graves.
“O HPV pode estar associado a câncer em locais como colo do útero, ânus, pênis e garganta”, afirma.
Ele acrescenta que hepatites B e C podem evoluir para doença hepática crônica, cirrose e câncer de fígado.
Testagem deve fazer parte do cuidado com a saúde
Especialistas ressaltam que o diagnóstico precoce é uma das principais formas de interromper a cadeia de transmissão e evitar complicações.
Para Moraes-Pinto, a recomendação é não esperar sintomas para procurar avaliação médica. “A testagem periódica faz parte do cuidado com a saúde sexual, principalmente após períodos como o Carnaval”, afirma.
Croda reforça que conhecer o próprio status de saúde ajuda a reduzir a circulação das infecções.
Sem diagnóstico e tratamento, explica o infectologista, a transmissão continua acontecendo — muitas vezes sem que as pessoas saibam que estão infectadas.
Atacante do Santos contabilizou 33 erros em partida contra o Novorizontino
CBF aprova postura de Neymar após jogador abrir mão do Carnaval (Raul Baretta/Santos FC)
Neymar registrou 33 perdas de posse de bola em apenas um jogo do Paulistão 2026, sendo a maior marca da competição em uma única partida, segundo dados do Sofascore. O desempenho do atacante aconteceu na derrota do Santos por 2 a 1 para o Novorizontino, pelas quartas de final, e transformou sua atuação no principal destaque da partida.
O duelo, realizado neste domingo (22/2), no Estádio Doutor Jorge Ismael de Biasi, em Novo Horizonte, teve Rômulo abrindo o placar para os donos da casa aos 45 minutos do primeiro tempo, após Neymar errar um passe em cobrança de lateral. Na segunda etapa, Gabriel Bontempo empatou para o Santos, mas nos acréscimos Léo Naldi marcou o gol que classificou o Novorizontino para a semifinal.
Embora o resultado tenha definido a classificação, o número de perdas de posse evidencia um desempenho atípico do camisa 10 do Santos. Especialistas apontam que estatísticas como essa ajudam a identificar padrões de jogo e o impacto individual em partidas decisivas.
O episódio levanta questionamentos sobre a eficiência de Neymar em jogos importantes e reforça a necessidade de equilíbrio entre presença de liderança e controle de jogo para os próximos desafios do Santos no Paulistão, além de questionar se o atleta tem tempo e condição de cravar uma vaga na Seleção Brasileira para a Copa do Mundo.
Salvador acordou em luto com a triste confirmação da morte do ator Moisés Trindade, de 33 anos. Segundo apurado pela TV Bahia, afiliada a Globo, o artista foi morto a tiros na noite de segunda-feira (23), no bairro da Calçada, em Salvador.
Segundo as informações, o crime foi presenciado por dois filhos dele, além da mãe e do pai. A morte de Moisés Trindade aconteceu por volta das 19h, próximo ao Plano Inclinado. Informações iniciais apuradas pela emissora apontam que Moisés estava na Travessa Bartholomeu quando foi abordado por dois homens, que chegaram ao local em uma motocicleta.
Depois que cometeram o crime, os suspeitos fugiram. Uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi ao local, mas já encontrou Moisés Trindade morto.
Vale lembrar que, nas redes sociais, Moisés se identificava como ator dos grupos ‘Fatos de favela’ e ‘Pé no chão’, que juntos são acompanhados por mais de 15 mil seguidores. Os perfis produzem conteúdo sobre a rotina nas comunidades e tentam trazer a mensagem de que o crime não compensa.
Além de atuar, o artista tinha um bar, que foi inaugurado em dezembro do ano passado. O crime é investigado pela 3ª Delegacia de Homicídios (DH), que tenta identificar a autoria e motivação do assassinato.
Circunstâncias da morte não foram informados pela família. Sepultamento dele acontecerá às 15h de quarta-feira (25), no Cemitério Jardim da Saudade, em Salvador.
Morre desembargador Carlos Alberto Dultra Cintra, ex-presidente do TJ-BA, aos 82 anos — Foto: Divulgação
O desembargador aposentado Carlos Alberto Dultra Cintra, ex-presidente do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) e do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-BA), morreu na madrugada desta terça-feira (24), aos 82 anos.
As circunstâncias da morte não foram informados pela família. O sepultamento dele acontecerá às 15h de quarta-feira (25), no Cemitério Jardim da Saudade, em Salvador.
Nascido em Ipirá, a 101 km de Feira de Santana, Carlos Cintra foi concursado e nomeado Promotor de Justiça na Comarca de Ubatã, no sul da Bahia, em abril de 1969. Em seguida, foi promovido para a Comarca de Catu, na Região Metropolitana de Salvador, em setembro de 1974, e para a Comarca da capital, em janeiro de 1978, na Curadoria Geral da Quarta Vara de Assistência Judiciária.
O desembargador também ocupou o cargo de Procurador de Justiça, outubro de 1985, e foi membro do Conselho Superior do Ministério Público da Bahia (MP-BA), em dezembro de 1987, onde foi chefe de gabinete até janeiro de 1990.
Carlos Cintra também foi eleito Procurador Geral da Justiça, em junho de 1991 e reeleito em 1993. Um ano depois, foi nomeado desembargador do Tribunal de Justiça da Bahia.
Membro do Conselho da Magistratura entre 1994 e 1995, o desembargador foi presidente do TJ entre 2002 e 2004. Em seguida, Carlos Cintra também foi presidente do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia por dois anos e vice-presidente por dois mandados, entre 2006-2008, 2010-2012.
Bombeiros atendem ocorrências de desabamento de edificações e deslizamento de terra. Aulas foram suspensas em toda a rede municipal.
Juiz de Fora decreta situação de calamidade por causa da chuva
As fortes chuvas que atingem Juiz de Fora, na Zona da Mata de Minas Gerais, deixaram 16 mortos e 440 pessoas desabrigadas. Na madrugada desta terça-feira (24), o município decretou estado de calamidade pública, e as aulas foram suspensas em todas as escolas da rede municipal. O Corpo de Bombeiros também realiza buscas por pelo menos 45 desaparecidos.
Em Ubá, segundo a Prefeitura, 6 pessoas morreram em decorrência da chuva. Na cidade, um rio transbordou na noite de segunda-feira (23), e a Avenida Beira Rio ficou tomada pela água. Ainda não há informação sobre a identidade das vítimas.
Em Matias Barbosa, o prefeito decretou estado de calamidade pública devido à enchente que atingiu diversas regiões do município.
Juiz de Fora
O temporal começou no fim da tarde de segunda-feira, e há previsão de mais chuva para Juiz de Fora, que fica em uma região de relevo bastante acidentado, com muitos morros, vales e encostas, próxima à divisa com o Rio de Janeiro.
Ainda segundo a prefeitura de Juiz de Fora, este é o fevereiro mais chuvoso da história da cidade, com 584 milímetros acumulados, o dobro do esperado para o mês.
Um dos bairros mais afetados é o Parque Burnier, onde, conforme os bombeiros, há 17 pessoas desaparecidas, entre elas mais de cinco crianças. Nove pessoas foram resgatadas com vida no local e quatro morreram. Ao todo, 12 casas desabaram.
No Bairro Cerâmica, duas casas desabaram. Cinco pessoas da mesma família estão soterradas. Bombeiros, equipes da Empav, Defesa Civil e Polícia Militar atuam na ocorrência.
O Rio Paraibuna e os córregos transbordaram. Pontes e o mergulhão, que ligam bairros ao Centro, estão fechados, e há também árvores caídas.
Em vídeo publicado nesta madrugada em uma rede social, a prefeita de Juiz de Fora, Margarida Salomão (PT), informou ao menos 20 ocorrências de soterramento. Os sobreviventes resgatados foram levados para o Hospital de Pronto Socorro (HPS), unidade de referência no município.
INFOGRÁFICO: chuva deixa mortos e desaparecidos em Juiz de Fora — Foto: Arte g1
Mais de 40 chamadas emergenciais
De acordo com o tenente Henrique Barcellos, dos bombeiros de Juiz de Fora, foram registradas mais de 40 chamadas emergenciais na madrugada por vias bloqueadas, moradores ilhados e casas atingidas.
"Deslocamos no início da madrugada equipes da equipe do Batalhão de Emergências Ambientais e Resposta à desastres ambientais, mais de 20 militares e cães de busca para reforçar a operação", disse.
Cidades da região também registram fortes chuvas
O Ribeirão Ubá transbordou na noite de segunda-feira, e a Avenida Beira Rio, em Ubá, ficou tomada pela água.
Segundo a prefeitura, foram acumulados 124 milímetros de chuva nas últimas seis horas. Equipes do Corpo de Bombeiros, da Guarda Municipal e da Defesa Civil estão mobilizadas e contabilizam os danos.
A Prefeitura informou à reportagem que há pelo menos 6 mortes no município.
Vídeo mostra desabamento em Ubá após chuva
O prefeito de Matias Barbosa decretou estado de calamidade pública no município em razão da enchente que atingiu diversas regiões da cidade. De acordo com a prefeitura, a medida visa viabilizar o acesso a recursos do governo federal, agilizar ações emergenciais e garantir atendimento às famílias afetadas.
A administração municipal informou ainda que continua mobilizada para prestar assistência à população e que novas informações serão divulgadas pelos canais oficiais.
Mais fotos e vídeos do temporal em MG:
Terra desceu e invadiu prédios e casas no bairro Paineiras, em Juiz de Fora — Foto: Maria Elisa Diniz/TV Integração
Queda de um barranco atinge prédio e casas em Juiz de Fora — Foto: Luiza Sudré/g1
É muito comum ver pais no celular ou conversando perante situações de mal comportamento sem tomar atitudes reais
Pais que veem uma situação socialmente inaceitável e não fazem nada atrapalham o desenvolvimento dos próprios filhos
Imagem gerada por Inteligência Artificial/ChatGPT
Esses dias estávamos voltando da aula e meu filho disse que eu era a mãe mais chata da escola. Quando eu ia argumentar o porquê, ele emendou: “Mas você também é a mãe mais legal e divertida. Como pode isso?”.
Na hora, só consegui dizer que, quando ele crescesse e entendesse por que eu sou tão chata, ele ia me achar ainda mais legal.
Aliás, fica essa dica: ser chata não te deixa menos legal — e eles sabem disso. Ser “chata” é intervir, repreender e explicar toda vez que for preciso pela segurança e pelo desenvolvimento deles.
Já escrevi em outra coluna sobre a importância de dizer “não” quantas vezes for preciso, porque educar é repetir várias vezes o limite até onde a criança pode ir.
Pais que veem uma situação socialmente inaceitável, como destruir coisas gratuitamente ou ter atitudes de violência, e não fazem nada atrapalham o desenvolvimento dos próprios filhos.
A equação é simples: omissão agora, preço alto depois.
O que dizem os especialistas?
De acordo com a neuropsicóloga infantil Cristina Mendes Gigliotti Borsari, coordenadora do Setor de Psicologia do Sabará Hospital Infantil, “a construção de limites na infância não está relacionada à rigidez ou ao autoritarismo, mas à oferta de contorno emocional e segurança psíquica”.
Limites não são barreiras afetivas — são instrumentos de cuidado. Do ponto de vista do desenvolvimento infantil, limites funcionam como estruturas organizadoras. A criança não nasce com a capacidade plena de autocontrole; essa habilidade é construída progressivamente a partir da educação, da orientação e da mediação do adulto.
Segundo Jean Piaget (1896-1980), pai da teoria sobre desenvolvimento cognitivo, o desenvolvimento moral ocorre em etapas, e, inicialmente, a criança depende de referências externas para compreender regras e consequências.
Os pais perderam o controle?
A verdade é que o mundo mudou e, com isso, pais e filhos precisam se adaptar de forma muito rápida. Muita informação, tecnologia agressiva e rotinas exaustivas afetaram as relações e têm suas consequências.
Mudanças nos modelos parentais: gerações anteriores frequentemente associaram limites à rigidez excessiva. Muitos pais atuais, desejando não repetir experiências autoritárias, que muitas vezes vivenciaram de maneira mais punitiva e traumática, acabam migrando para um modelo de parentalidade permissivo.
Culpa e sobrecarga emocional: rotinas intensas de trabalho, pouco tempo disponível para brincar e cuidar do filho, e exaustão física favorecem a flexibilização de regras por cansaço ou compensação afetiva.
Cultura da validação constante: vivemos um momento histórico em que há maior valorização da escuta emocional (o que é positivo), mas que, por vezes, é confundida com ausência de frustração, ou de ensinamento sobre comando de uma parentalidade consciente. No entanto, validar sentimentos não significa validar todos os comportamentos.
Dificuldades na tolerância ao conflito: impor limites gera desconforto imediato — choro, oposição, birras. Muitos adultos têm dificuldade em sustentar essa tensão, especialmente quando desejam ser percebidos como “bons pais”.
Ainda segundo a neuropsicóloga infantil Cristina Mendes Gigliotti Borsar, educar com limites claros, consistentes e acompanhados de afeto é oferecer à criança não apenas regras, mas referências internas que a acompanharão por toda a vida.
Mas como eu faço isso?
Eu costumo seguir quatro diretrizes importantes e que ajudam a me posicionar em situações de conflito. Divido elas com vocês:
•Esteja realmente presente quando acompanhar o seu filho. É importante observá-los em grupo e entender as dinâmicas das amizades;
•Tente repreendê-lo na hora do problema e explique os limites e consequências dos seus atos;
•Não faça ameaças que não irá cumprir. Se você disse que na próxima vez irão embora, por exemplo, e acontecer algum problema de novo, vá. Não cumprir afeta a sua autoridade e passa a mensagem errada para a criança;
•Às vezes, é realmente difícil, mas lembre-se de que ter tônus paternal é fundamental para a educação dos pequenos. Se você não fizer, outros farão de forma menos cautelosa.
A morte de Jorginho (Juliano Cazarré) promete muitos mistérios na novela 'Três Graças'
Jorginho (Juliano Cazarré) será morto por Samira (Fernanda Vasconcellos) na novela Três Graças
Jorginho (Juliano Cazarré) não conseguirá realizar o sonho de ver a neta nascer na novela 'Três Graças', mas deixará a trama como um verdadeiro herói.
Nos próximos capítulos, o ex-traficante provará que mudou ao arriscar a própria vida para salvar a filha, Joélly (Alana Cabral), das mãos de Samira (Fernanda Vasconcellos). A sequência promete tensão do início ao fim.
Tudo começa quando Jorginho consegue desarmar Edilberto (Julio Rocha) e impede que o capanga execute mais uma ordem suja. No entanto, quando parece que ele venceu, a verdadeira ameaça surge de forma silenciosa e cruel.
Samira se aproxima por trás e, sem que ele perceba, injeta uma substância letal em sua jugular. Fria e calculista, a vilã ainda humilha Edilberto, chamando-o de frouxo e demonstrando total desprezo pelo comparsa e amante.
Em uma das cenas mais impactantes da novela, o corpo de Jorginho será abandonado na porta da igreja, enrolado apenas em um cobertor, num gesto que mistura recado e provocação.
Emoção no velório de Jorginho
O enterro será marcado por forte comoção na comunidade. Moradores se reúnem para prestar as últimas homenagens ao homem que, apesar dos erros do passado, buscou redenção.
Bagdá (Xamã) não consegue conter as lágrimas diante do caixão do amigo, enquanto Raul (Paulo Mendes), tomado pela revolta, promete denunciar Samira custe o que custar. O pastor Albérico (Enrique Diaz) faz um discurso emocionado, ressaltando a transformação e o sacrifício de Jorginho.
A presença de Edilberto na cerimônia chama a atenção de Paulinho (Rômulo Estrela). Desconfiado, o policial decide agir em silêncio e instala um rastreador no carro do capanga de Ferette (Murilo Benício). O gesto pode ser o início da queda da vilã.
A morte de Jorginho, além de emocionante, promete desencadear uma nova fase de investigação, vingança e revelações explosivas na trama.
A madrugada desta terça-feira (24) foi de alerta para os moradores de Macajuba, no interior da Bahia. O município foi atingido por um forte temporal caracterizado por intensa atividade elétrica e alto volume de precipitação, confirmando as previsões de instabilidade para a região.
Desde as primeiras horas da madrugada, o céu foi tomado por constantes clarões de raios e o som forte de trovões que assustaram a população. A chuva, que caiu de forma ininterrupta por diversas horas, faz parte de um sistema de baixa pressão que tem provocado alertas de chuvas intensas em mais de 40 cidades baianas, conforme o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia).
Embora não haja registros oficiais de desabrigados até o momento, a força das águas exige atenção redobrada em áreas de risco e pontos baixos da cidade. Dados do Meteored indicam que a probabilidade de chuva permanece alta (80%) ao longo de todo o dia, com acumulados significativos previstos também para o restante da semana.
As autoridades locais recomendam que, em caso de novos temporais com raios:
Evite o uso de aparelhos eletrônicos ligados à tomada;
Não estacione veículos próximos a árvores ou torres de transmissão;
Mantenha-se informado através dos canais oficiais da Defesa Civil.
A temperatura na cidade deve variar entre a mínima de 21°C e a máxima de 30°C nas próximas 24 horas.
Em uma ação contínua de combate ao narcotráfico, a Polícia Militar da Bahia, através do Comando de Policiamento Especializado (CPE) e da CIPE/Chapada, localizou na tarde deste domingo (22/02) cerca de duas toneladas de maconha prontas para o consumo na zona rural de Brotas de Macaúbas.
A apreensão faz parte da Operação Nexus Nordeste 2026 – RENOE, coordenada pela SENASP. A ação integrada reuniu equipes da CIPE-Caatinga, CIPE-Chapada, BOPE, GRAER, CIPT/MO (RONDESP) e 28ª CIPM, em parceria estratégica com a Polícia Federal de Juazeiro.
Após informações sobre uma tentativa de resgate de entorpecentes na região, as equipes intensificaram as buscas em área de difícil acesso. A droga foi encontrada enterrada, acondicionada em sacos plásticos hermeticamente fechados para proteção contra umidade.
Com este novo achado, o balanço parcial da operação na região atinge números expressivos:
3 toneladas de maconha pronta apreendidas;
200 mil pés de maconha erradicados;
R$ 175 milhões de prejuízo estimado ao crime organizado.Além do entupimento logístico do tráfico, a operação resultou na prisão de 10 indivíduos e na apreensão de um arsenal que inclui 4 pistolas, uma submetralhadora, além de 10 veículos (carros e motos) e celulares. Durante as diligências, cinco suspeitos resistiram à intervenção policial e evoluíram a óbito após confronto.
Todo o material e os detidos foram encaminhados à Delegacia de Polícia Federal em Juazeiro/BA para a formalização do flagrante e continuidade das investigações.
Fonte: PMBA, uma Força a serviço do cidadão! CIPE-CHAPADA: Lealdade, Honra e Fé!
A força e o talento da zona rural de Macajuba brilharam
longe de casa neste fim de semana. O competidor conhecido como Agrário,
natural da localidade do Bravo, conquistou o primeiro lugar em uma
disputada corrida de cavalo realizada no bairro de Parelheiros na grande São
Paulo, neste domingo (22).
A vitória de Agrário reafirma a tradição dos cavaleiros
macajubenses, que levam o nome do município para as pistas de todo o país. O
título foi celebrado por amigos e familiares que acompanharam a competição e,
rapidamente, a notícia se espalhou pelas redes sociais, gerando uma onda de
parabenizações ao campeão do Bravo.
Para os moradores da localidade, a conquista de Agrário é
motivo de imenso orgulho. "É gratificante ver um filho da nossa terra se
destacando e vencendo em outros estados, mostrando a garra do povo do
Bravo", comentou um conterrâneo.
O Deixa Comigo Macajuba parabeniza Agrário proprietário do
animal e Bêu, o cuidador pela vitória e por representar tão bem as raízes de
Macajuba.
Veja vídeos:
Deixa Comigo Macajuba 14 anos O Blog do Povo Macajubense.
Corte definirá sentenças dos acusados de terem mandado matar a vereadora e Anderson Gomes. Presença virtual dos réus está autorizada
Arte Metrópoles
Quase oito anos depois da quarta-feira chuvosa na qual a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes foram assassinados no centro do Rio de Janeiro, os acusados de terem ordenado o crime e seus cúmplices serão julgados pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF).
A Corte marcou sessões para a terça (24/2) e a quarta-feira (25/2), que definirão a participação de Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ); do irmão dele, Chiquinho Brazão, ex-deputado federal; e de Rivaldo Barbosa, delegado e ex-chefe da Polícia Civil carioca, no crime que chocou o Brasil e mereceu protestos internacionais. Os três são acusados de serem os mentores intelectuais do assassinato de Marielle.
A Primeira Turma do STF também analisará as participações de Ronald Paulo de Alves Pereira, ex-major da Polícia Militar do Rio, e Robson Calixto Fonseca, ex-assessor de Domingos Brazão, nos crimes. Eles são acusados de terem ajudado na orquestração dos assassinatos.
O caso é julgado no STF devido à prerrogativa de foro de Chiquinho Brazão, que tinha mandato de deputado federal quando foi preso pela Polícia Federal, em 2024, na segunda etapa das investigações do caso.
Arte Metrópoles Arte
Se Chiquinho Brazão não estivesse entre os réus, o processo poderia tramitar no Superior Tribunal de Justiça (STJ), em razão da prerrogativa de foro do irmão, Domingos Brazão. Preso, Domingos está afastado do cargo de conselheiro do TCE-RJ, mas segue recebendo salário mensal de R$ 41.845,48.
Como será o julgamento
Ao todo, mais de 30 advogados, além de representantes da Defensoria Pública do Rio de Janeiro, pediram para acompanhar o julgamento dos mandantes dos assassinatos de Marielle e Anderson. Todos terão espaço reservado no STF.
Moraes autorizou Domingos Brazão, preso na Penitenciária Federal de Porto Velho (RO), e Rivaldo Barbosa, detido na unidade federal de segurança máxima em Mossoró (RN), a acompanharem o julgamento por videoconferência.
O Instituto Marielle reservou lugares no STF para os familiares da ex-vereadora e de Anderson Gomes.
Estarão no STF:
• Anielle Franco, Ministra de Estado, irmã de Marielle;
• Familiares de Marielle Franco (pai, mãe, irmã e filha);
• Agatha Arnaus Reis, viúva de Anderson Gomes;
• Mônica Benício, viúva de Marielle Franco.
O julgamento começa com o presidente da Primeira Turma, ministro Flávio Dino, abrindo a sessão. Na sequência, o ministro Alexandre de Moraes lê o relatório, que é uma espécie de resumo do processo.
Arte Metrópoles infográfico
Após o pronunciamento de Moraes, o vice-procurador-geral da República, Hindemburgo Chateaubriand Filho, terá 1 hora para sustentar a acusação da PGR. A fala pode se estender por mais 30 minutos, se necessário.
O assistente de acusação, advogado da vítima Fernanda Chaves, única sobrevivente do assassinato, falará por mais 1 hora. Passada essa etapa, será aberto espaço para as sustentações orais dos advogados dos cinco réus. Cada um terá 60 minutos para defender seu cliente.
Em seguida, o relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, apresenta seu voto. Na sequência, os ministros Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino se manifestam. Eles decidem se condenam ou absolvem os acusados e determinam as penas.
A sentença para os cinco acusados é aguardada com forte expectativa pela família de Marielle. A responsabilização, nesse caso, se as provas assim demonstrarem, é carregada de simbolismo, uma vez que parte dos acusados pertencia à elite política carioca na época dos assassinatos e atuou dentro do sistema para impedir a apuração dos crimes.
Em entrevista ao Metrópoles, a filha de Marielle, Luyara Franco, destacou a importância do caso. “Espero que o julgamento seja conduzido com base nas provas. É fundamental que esse processo demonstre que crimes políticos não podem ser relativizados”, afirmou Luyara, que também é diretora-executiva do Instituto Marielle.
Veja vídeo:
Motivação dos assassinatos
De acordo com a denúncia apresentada à Justiça pelo vice-procurador-geral da República, Hindemburgo Chateaubriand Filho, a motivação para os assassinatos de Marielle e Anderson está enraizada em disputas fundiárias da Zona Oeste do Rio de Janeiro, região que é comandada por milícias.
Nas alegações finais ao STF, em maio de 2025, Chateaubriand sustentou as provas obtidas pela Polícia Federal e pediu a condenação dos cinco denunciados. A PGR considera que os irmãos Brazão e o delegado Rivaldo formaram uma organização criminosa dedicada às atividades de milícia, com a finalidade de obtenção de lucro e consolidação de redutos eleitorais.
Segundo a PGR, entre os objetivos da organização criminosa estava a exploração de atividades imobiliárias ilegais, por meio de práticas de “grilagem”. As ações também tinham como finalidade ampliar o capital político dos Brazão, garantindo redutos eleitorais para a família.
Foto colorido da deputada Marielle Franco discursando na Assembleia Legislativa do Rio. Ela é uma mulher negra de cabelos encaracolados e está vestida de preto
A atuação política de Marielle, marcada pela defesa dos direitos humanos e por denúncias contra milicianos, ameaçava os planos do grupo, o que teria motivado a execução.
“O crime foi praticado mediante promessa de recompensa e por motivo torpe, pois os agentes visavam manter a lucratividade de seus negócios ilícitos. Da execução, resultou perigo comum, caracterizado pelos múltiplos disparos efetuados em via pública, a partir do interior de um veículo, em direção a espaço aberto”, apontou Hindemburgo Chateaubriand Filho.
A procuradoria pede a perda do cargo público dos denunciados e indenização aos familiares das vítimas a título de danos morais e materiais sofridos em decorrência dos crimes.
Polarização política
Em 14 de março de 2018, Marielle Franco deixava um compromisso político no centro do Rio de Janeiro, quando o Chevrolet Agile branco em que estava foi alvejado por 14 tiros de metralhadora. No veículo, além de Marielle e Anderson, viajava a assessora Fernanda Chaves, única sobrevivente do atentado.
À época, já se falava em execução com motivações políticas, hipótese que foi confirmada ao longo das tumultuadas investigações. Cheia de idas e vindas, a apuração dos crimes foi marcada por disputas de competência e troca de acusações entre o Ministério Público Federal (MPF), a Polícia Civil do Rio de Janeiro e a Polícia Federal.
Foto colorida do carro no qual a vereadora Marielle Franco viajava quando foi atingida. Crime aconteceu no centro do Rio de Janeiro, após a vereadora deixar um compromisso público
Em março de 2019, a Polícia Civil do Rio chegou aos nomes dos executores: Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz, dois policiais militares ligados às milícias cariocas. Segundo a apuração, Queiroz dirigia o veículo usado para perseguir Marielle no centro do Rio de Janeiro e Lessa efetuou os disparos com uma submetralhadora HK MP5 9mm.
Quando foi detido, Lessa era sargento reformado da Polícia Militar do Rio de Janeiro. O processo de expulsão da PMRJ foi concluído em 2023. Queiroz, que também foi sargento da corporação, já tinha sido expulso em 2015.
Fotos de Ronnie Lessa e Élcio, responsáveis pela execução de Marielle
Imagem apresentada pela Polícia Civil fala, à época, da prisão de Ronnie e Élcio
A pergunta “Quem matou Marielle?” estava respondida, mas o enredo para explicar o crime seguia incompleto. Quem tinha motivos para mandar matar a vereadora? Após as prisões de Ronnie e Élcio, os familiares das vítimas e os políticos de esquerda trocaram a pergunta para “Quem mandou matar Marielle?”
As mortes de Marielle e Anderson sempre mobilizaram opiniões políticas. Em 2018, em um ato público, o deputado estadual Rodrigo Amorim (União Brasil) quebrou uma placa em homenagem à vereadora instalada no centro do Rio de Janeiro, ironizando o culto à imagem da vítima.
No episódio, Amorim estava ao lado do então candidato a deputado federal Daniel Silveira (ex-PTB), que hoje cumpre pena em regime semiaberto por ameaças ao Estado Democrático de Direito e incitação à violência contra ministros do STF.
No campo político à esquerda, eram recorrentes insinuações sobre possíveis implicações do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), pois, na época do crime, Ronnie Lessa morava no mesmo condomínio que ele tem casa, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.
Federalização do caso
Em 2022, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) derrotou Jair Bolsonaro. A mudança no Palácio do Planalto deu novo rumo às investigações do caso Marielle. Recém-empossado, o então ministro da Justiça, Flávio Dino anunciou que a Polícia Federal (PF) abriria novo inquérito para investigar os assassinatos.
Vinícius Schmidt/Metrópoles Dino assumiu o Ministério da Justiça prometendo aprofundar as investigações do caso Marielle
A federalização do caso, já na gestão de Andrei Rodrigues na PF, foi o marco que levou à identificação dos acusados de serem os mandantes do crime. Em 2024, Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz fecharam acordos de delação premiada, que serviram de base para as investigações que apontaram Chiquinho e Domingos Brazão, Rivaldo Barbosa, Ronald Pereira e Robson Fonseca como os mentores da ação.
As colaborações de Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz resultaram em benefícios penais, como proteção à família de Lessa e regime de prisão diferenciado. Antes custodiados em presídios federais, ambos passaram a cumprir pena no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília.
Em 31 de janeiro de 2024, Flávio Dino deixou a pasta da Justiça e Segurança Pública para assumir o cargo de ministro do STF. Em 19 de março, o sucessor dele, Ricardo Lewandowski, convocou coletiva de imprensa para informar que o STF tinha homologado a delação de Ronnie Lessa.
Foto colorida do então ministro da Justiça anunciado a homologação da delação premiada dos assassinos de Marielle Franco.
O anúncio sobre a homologação da delação premiada de Lessa foi uma das primeiras agendas de Lewandowski como ministro da Justiça
À época, Lewandowski afirmou: “Essa colaboração premiada, que é um meio de obtenção de provas, traz elementos importantíssimos que nos levam a crer que brevemente teremos a solução do assassinato da vereadora Marielle Franco”.
A surpresa veio num domingo. No dia 24 de março, em operação realizada no Rio de Janeiro, a Polícia Federal prendeu os irmãos Brazão e Rivaldo Barbosa, apontados como mentores intelectuais do crime. Dias depois foram reveladas as participações de Ronald Pereira e Robson Fonseca.
Foto: Breno Esaki/Metrópoles Domingos Brazão desce as escadas do avião da PF em 24 de março de 2024
Com a prisão dos irmãos Brazão e do delegado Rivaldo, a esquerda tentou, mais uma vez, associar a direita ao crime. Segundo líderes do PT e do PSol, o general Braga Netto, hoje ex-ministro de Bolsonaro, teria sido responsável pela indicação de Rivaldo para o cargo de chefe da Polícia Civil fluminense. As suspeitas levantadas contra Bolsonaro nunca foram confirmadas.
Breno Esaki/Metrópoles @BrenoEsakiFoto
Chiquinho Brazão deixa o IML após exame de corpo de delito
Segundo as investigações da PF, o delegado Rivaldo Barbosa garantiu que as investigações iniciais fossem desviadas, protegendo os verdadeiros mandantes. Ele havia assumido o comando da Polícia Civil do Rio um dia antes do assassinato, em março de 2018, e foi o responsável por indicar o delegado Giniton Lages para acompanhar o caso. Anos depois, Lages seria denunciado pelo MPF por obstrução de justiça.
Considerado um amigo pelas famílias de Marielle e Anderson, Rivaldo teria atrapalhado as apurações ocultando provas, usando testemunhos falsos e apontando suspeitos errados.
Breno Esaki/Metrópoles @BrenoEsakiFoto
O delegado Rivaldo Barbosa era considerado como amigo pela família de Marielle Franco
Em maio de 2024, outros dois nomes surgiram como envolvidos nas mortes de Marielle Franco e Anderson Gomes no inquérito conduzido pela PF: Ronald Pereira, o major Ronald, e Robson Fonseca, conhecido como Peixe.
Ronald tinha sido assessor pessoal de Domingos Brazão na Assembleia Legislativa do Rio e seguiu na equipe do político quando ele assumiu cadeira de conselheiro no Tribunal de Contas do Rio.
Peixe, por sua vez, estava preso desde 2019 após ser alvo de uma das fases anteriores do caso Marielle. O nome dele também tinha alguma notoriedade por envolvimento na morte de quatro jovens na saída de uma festa na Baixada Fluminense, em 2003.
Segundo a PF, tanto major Ronald quanto Peixe integravam a organização criminosa e tiveram funções “bem específicas” na execução do crime. Major Ronald monitorou as atividades de Marielle e forneceu aos executores informações essenciais para o planejamento e a consumação dos assassinatos. Conforme a PF, foi ele quem indicou que Marielle estaria presente na Casa das Pretas, na Lapa, região central do Rio, na noite do crime.
Já Peixe é apontado como intermediador da morte de Marielle. Segundo a PF, teria providenciado a submetralhadora utilizada por Lessa no assassinato da vereadora e de seu motorista.
Acusados alegam inocência
Em outubro de 2024, os cinco réus passaram por interrogatórios dentro da fase de instrução do processo. Chiquinho, Domingos e Rivaldo responderam a perguntas do juiz Airton Vieira, auxiliar do ministro Alexandre de Moraes, do Ministério Público e de advogados. Em suas falas, os três negaram conhecer Ronnie Lessa – assassino confesso da vereadora – e se declararam inocentes.
Ronald e Peixe também se declararam inocentes e refutaram as alegações das PGR. Ronald negou ter realizado trabalho de monitoramento da rotina de Marielle Franco antes do assassinato da vereadora. Perguntado sobre sua participação no crime, disse que não conhecia a vereadora: “Com todo respeito à família, eu nunca tinha ouvido falar o nome de Marielle”, disse.
O advogado Marcelo Ferreira, responsável pela defesa de Rivaldo Barbosa, pretende demonstrar que as acusações contra o ex-chefe da Polícia Civil do Rio não foram confirmadas durante a instrução criminal. Ferreira sustenta que não há “elementos autônomos e independentes capazes de corroborar as declarações de Ronnie Lessa em sua delação premiada” e que “a legislação brasileira exige que a palavra do colaborador seja acompanhada de provas externas de confirmação, o que não se verificou no caso concreto”.
O advogado de defesa de Chiquinho Brazão, Cléber Lopes, defenderá na tribuna que “inúmeras provas que desmentem todas as premissas centrais da acusação”. Lopes afirma que há “erros fáticos” na apuração e declara que seu cliente é inocente.
A reportagem procurou a defesa do delator Ronnie Lessa, que informou não ter interesse em se manifestar. Os advogados dos outros réus não responderam às mensagens encaminhadas a eles. A versão dos réus exposta na matéria está nos autos da ação penal.