Livro “Ter ou não ter filhos”, de Ruth Manus, reúne dados e reflexões sobre o tema
• Ruth Manus na divulgação do seu livro "Ter ou não ter filhos".
A decisão de ter ou não ter filhos deixou de seguir um roteiro previsível no Brasil e no mundo. Levantamentos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base na Síntese de Indicadores Sociais 2023, mostram que mulheres estão adiando a maternidade — e, em muitos casos, optando por não ter filhos — em um movimento associado a transformações econômicas, sociais e culturais.
Segundo o IBGE, a taxa de fecundidade no país caiu de cerca de 6,3 filhos por mulher na década de 1960 para 1,6 em 2022, abaixo do nível de reposição populacional, estimado em cerca de 2,1. Indicadores preliminares apontam a manutenção desse patamar, sem sinais de reversão no curto prazo
Ao mesmo tempo, estudos internacionais — como os do National Bureau of Economic Research — apontam que a maternidade ainda impacta diretamente a renda feminina. Após o primeiro filho, mulheres podem registrar redução média de 20% a 30% nos ganhos ao longo da carreira, fenômeno conhecido como child penalty.
Esse conjunto de fatores ajuda a explicar por que a maternidade, antes tratada como etapa natural da vida adulta, passou a ser vista como uma escolha mais complexa — e, muitas vezes, adiada.
Diante desse quadro o tema ganha novas abordagens. O livro “Ter ou não ter filhos”, da Ruth Manus, articula dados, relatos e reflexões para discutir os dilemas que atravessam essa escolha hoje.
Livro reúne experiências e análises sobre a decisão de ter filhos
Na obra, a autora articula pesquisas, relatos e reflexões para abordar uma das decisões mais complexas da vida adulta: ter ou não ter filhos.
Partindo de uma pergunta aparentemente simples, o livro reúne dilemas presentes na vida de muitas mulheres — como dúvida, desejo, medo, pressão social, relações e exaustão — e constrói uma reflexão que dialoga diretamente com quem vive esse processo.
Sem oferecer respostas prontas, o livro se propõe a ampliar o repertório sobre o tema, reunindo dados e vivências que ajudam a qualificar essa escolha.
Ao combinar experiências pessoais, histórias e dados, a autora questiona tabus e dialoga com diferentes trajetórias — de quem já é mãe a quem ainda está em dúvida sobre ter filhos.
O livro também reforça que não há uma resposta única. Em vez de um modelo ideal, o que se observa é a construção de caminhos possíveis, definidos a partir das escolhas e contextos de cada mulher.
Advogada, doutora em Direito Internacional pela Universidade de Lisboa e mestre em Direito do Trabalho com foco no trabalho feminino pela PUC-SP, Ruth Manus também atua como palestrante, com passagens por mais de 100 empresas e instituições. É autora de dez livros voltados a temas ligados a gênero, trabalho e transformações sociais.
Escolha reflete mudanças estruturais na sociedade
Se antes a maternidade era influenciada sobretudo por padrões culturais, hoje ela também responde a condições concretas da vida contemporânea.
Carreira, estabilidade financeira, divisão de tarefas domésticas e acesso a redes de apoio passaram a ter peso direto na decisão. Ao mesmo tempo, entram na equação questões como saúde mental, planejamento de longo prazo e percepções sobre o futuro.
Estudos recentes indicam que preocupações com o cenário ambiental também passam a influenciar esse processo, ampliando o conjunto de fatores considerados.
Esse movimento ocorre em paralelo ao avanço da escolaridade feminina, ao aumento da participação das mulheres no mercado de trabalho e ao maior acesso a métodos contraceptivos.
Na prática, a maternidade deixa de ser automática e passa a ser resultado de uma combinação de fatores.
Pressão social permanece, mas assume novas formas
Apesar das mudanças, a cobrança da sociedade em torno da maternidade não desapareceu.
Mulheres que optam por não ter filhos ainda relatam questionamentos frequentes, enquanto aquelas que têm filhos enfrentam expectativas relacionadas à conciliação entre carreira e vida familiar.
O resultado é um cenário em que a ampliação das possibilidades convive com exigências simultâneas e, muitas vezes, contraditórias.
A partir daí, cresce a busca por informação e por discussões mais abertas sobre o tema.
Debate chega ao ambiente corporativo
A discussão também começa a ganhar espaço nas empresas, acompanhando mudanças no perfil dos profissionais.
Temas como licença parental, retenção de talentos e impacto da parentalidade na carreira entram na agenda corporativa, refletindo a necessidade de adaptação a novas dinâmicas sociais.
Nesse contexto, o conteúdo do livro foi adaptado para a palestra “Ter ou não ter filhos”, apresentada no mês das mães. A iniciativa se soma a outras apresentações do repertório da autora, como “Maternidade possível”, “Quem cuida de quem cuida” e o stand-up “Cadê a mãe dessa criança”.
A proposta é levar dados e reflexão para dentro das empresas, em um debate que impacta diretamente o dia a dia das equipes e ganha espaço no ambiente corporativo.
Decisão tende a ser mais informada e individual
A mudança no padrão de maternidade indica uma transformação mais ampla na forma como trajetórias de vida são construídas.
Com mais acesso à informação e maior diversidade de referências, mulheres passam a considerar diferentes caminhos de forma mais deliberada.
Em vez de um modelo único, o que se consolida é a coexistência de escolhas distintas, construídas a partir de contextos e prioridades individuais.
Serviço
Livro: Ter ou não ter filhos
Autora: Ruth Manus
Editora: Sextante
A obra reúne dados, relatos e reflexões sobre os dilemas contemporâneos da maternidade, dialogando com mulheres em diferentes momentos de decisão.
Fonte: CNN Brasil

















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