Somando as duas passagens pelo clube, o atacante disputou 210 jogos, com 84 gols e 13 assistências
Gabigol foi anunciado pelo Santos neste sábado (3/1). (Raul Baretta/Santos)
“Menino da Vila, santista e cruel: vai pra cima, Gabriel”. Foi com a música cantada pela torcida que o Santos anunciou, neste sábado (3/1), o retorno de Gabriel Barbosa após oito anos. O clube acertou a transferência por empréstimo junto ao Cruzeiro para a temporada 2026. O atacante, que é formado nas categorias de base santista, se despediu da Vila Belmiro em janeiro de 2019, quando acertou com o Flamengo.
De lá para cá, o reencontro parecia cada vez mais distante: muito por conta dos momentos distantes entre atleta e instituição, além das polêmicas acumuladas nos últimos anos. Enquanto Gabriel viveu o melhor momento da carreira e colecionou troféus com a camisa rubro-negra, o Santos viveu o pior momento de sua história, com direito à queda para a Série B em 2023.
Menino da Vila
A história de Gabigol no futebol começou na base do Santos, com apenas oito anos, em 2004. Em 2013, ele estreou na equipe profissional — justamente no jogo de despedida de Neymar da equipe antes da transferência para o Barcelona. Agora, o camisa 10 deve ser a dupla de ataque de Gabriel na temporada. Além disso, outra coincidência marcou a partida: o adversário da vez era o Flamengo, clube no qual Gabriel faria história alguns anos depois.
A primeira passagem no clube durou até 2016. Após o Ouro nas Olimpíadas do Rio, o atleta chamou atenção do mercado europeu e foi adquirido pela Inter de Milão em um negócio que girou em torno de 25 milhões de euros (R$ 90 milhões). Ele jogou apenas 183 minutos, divididos em 10 partidas, e marcou um gol. Deixou o clube por empréstimo rumo ao Benfica em meados de 2017.
Mais uma vez, não balançou as redes como era esperado e retornou ao futebol brasileiro já no início do ano seguinte. Ele foi anunciado pelo Santo em janeiro de 2018. O atacante foi artilheiro do Brasileirão, com 18 gols, e da Copa do Brasil, daquele ano. Além disso, também liderou a artilharia da Copa do Brasil em 2014 e 2015, e bicampeão paulista em 2015 e 2016. Somando as duas passagens, são 210 jogos, com 84 gols e 13 assistências.
Provocações e polêmicas
Além dos títulos e muitos gols marcados, a trajetória de Gabigol e Santos também tem algumas rusgas. Muitas delas, justamente por causa de gols — desta vez, marcados pelo atacante contra o clube que o revelou. O primeiro encontro foi justamente no Brasileirão de 2019. Na ocasião, o jogador marcou o gol da vitória no jogo da ida, no Maracanã.
No 2º turno, o clube carioca apenas cumpria tabela, mas foi goleado por 4 a 0 e Gabriel passou a ser alvo de provocações da arquibancadas. Ele devolveu e apontou para a tatuagem do troféu da Libertadores, conquistada cerca de duas semanas antes. No ano seguinte, o 1º gol dele contra o Santos na Vila Belmiro. Na ocasião, ele homenageou o ator Chadwick Boseman, protagonista do filme “Pantera Negra”, que havia falecido dias antes.
No ano seguinte, foram três gols dele em solo santista na vitória do Flamengo por 4 a 0. Em meio à pandemia, apenas alguns convidados assistiam ao jogo, o que facilitou que o atacante ouvisse gritos e ofensas da tribuna. Mais uma vez, ele reagiu. Em uma das comemorações, foi na direção dos críticos, celebrou efusivamente e enalteceu o escudo rubro-negro.
“Acho que têm que respeitar minha história no clube, no último título do Santos eu estava aqui. Eles me xingaram não sei de onde, na imprensa só vai sair que eu provoquei, mas mexeram com a pessoa errada, voltei para o segundo tempo e fiz três gols”, disse Gabigol, na saída do campo.
Em 2022, Gabriel começou o duelo no banco de reservas. Ele entrou na 2ª etapa, se envolveu em confusão com jogadores do Santos e, apenas cinco minutos depois, marcou o gol da vitória por 2 a 1. Na comemoração, colocou a mão nos ouvidos em forma de provocação.
O encontro mais recente foi na última rodada do Brasileirão de 2025. Já com a camisa do Cruzeiro, Gabigol encarou um clima mais “ameno”. Apesar de seguir sendo alvo de ofensas, também encontrou torcedores mais carinhosos, como destacou: “Tem uns que xingam, uns que fazem assim (gesto para voltar ao Santos). Bom pra caramba! Eu gosto muito de estar em Santos. Muito bom. Minha irmã esta aí, o pessoal esta aí vendo o jogo. Maneiro pra caramba”.
Em meio à história recheada de momentos históricos, Gabigol volta à Vila Belmiro com a promessa de recuperar o bom futebol após uma temporada abaixo e reconquistar o carinho da torcida. Apesar das polêmicas, é provável que bolas na rede e a dupla com Neymar, que é cunhado do atacante, sejam suficiente para reconquistar o torcedor.
Fonte: Portal Léo Dias
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