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sexta-feira, 10 de abril de 2026

INSS: quem é o empresário que confessou fraudes e assinou delação



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Narrador Inteligente Ouvir Matéria

 



Maurício Camisotti é suspeito de envolvimento em esquema de descontos indevidos no INSS. Ele foi preso pela PF no dia 12 de setembro de 2025


Arte / Metrópoles 


Maurício Camisotti, empresário preso desde setembro por participação no esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões no INSS, admitiu a prática de fraudes e firmou um acordo de delação premiada com a Polícia Federal (PF). O Metrópoles confirmou a informação na quinta-feira (9/4).

Camisotti é dono de campanhias de área de seguros e planos de saúde. Ele foi preso pela PF no dia 12 de setembro do ano passado, suspeito de envolvimento no esquema de descontos indevidos sobre aposentadorias e pensões do INSS, revelado pelo Metrópoles.

Papel de Camisotti no esquema

Segundo a investigação, Camisotti controlava três entidades que faturaram mais de R$ 1 bilhão desde 2021 com a farra dos descontos indevidos.

Todas essas três entidades investigadas pela PF são sediadas em escritórios comerciais em São Paulo. Juntas, somente no último ano, elas faturaram R$ 580 milhões.

A PF obteve a suspensão do acordo da Ambec com o INSS – essa entidade foi a que mais repassou dinheiro para as empresas de Camisotti: R$ 30,1 milhões.

O Metrópoles já havia revelado que a Aposentados Mutualistas para Benefícios Coletivos (Ambec), a União dos Aposentados e Pensionistas do Brasil (Unsbras) e o Centro de Estudos dos Benefícios dos Aposentados e Pensionistas (Cebap) tinham como diretores estatutários funcionários e parentes de executivos do grupo de empresas de Camisotti.

No dia da operação que resultou na prisão de Camisotti, os agentes apreenderam esculturas, pinturas, armas e veículos de luxo. O empresário foi identificado como sócio oculto de uma organização e beneficiário de fraudes previdenciárias.

A PF já colheu os depoimentos da delação do empresário e enviou o acordo ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, que agora deve analisar os termos do documento para dar validade jurídica à delação.

Ele havia sido transferido da Penitenciária II de Guarulhos (SP) para a Superintendência da Polícia Federal de São Paulo. As tratativas foram conduzidas pelo advogado Celso Villardi, que também fez a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no inquérito da tentativa de golpe em 2022.

A expectativa da defesa é que, com o acordo, Camisotti consiga autorização para prisão domiciliar.

Laranjas

Entre as pessoas ligadas a Camisotti listadas pela PF, está, por exemplo, Maria Inês Batista de Almeida, que presidiu a Ambec entre 2023 e 2024. O Metrópoles já havia mostrado que ela se apresenta como auxiliar de dentista em um documento apresentado à Justiça. No entanto, a PF identificou que ela é registrada como faxineira de empresas de Maurício.

Primos, sobrinhos, uma irmã e um ex-cunhado aparecem como sócios de empresas e associações ligadas ao empresário. Todas essas companhias movimentaram cifras milionárias com as entidades. Quatro empresas do grupo de Maurício, o Total Health, receberam R$ 43 milhões das associações, segundo as quebras de sigilo bancário.

Entre elas, estão a Prevident e a Rede Mais, do ramo de saúde, e a Benfix, uma corretora de seguros em nome do próprio empresário. A Prevident, por exemplo, é dirigida por José Hermicesar Brilhante Palmeira, que foi secretário-geral estatutário da Ambec na gestão de Maria Inês, e recebeu sozinha R$ 16,3 milhões da Ambec.

À epóca da prisão de Camisotti, a defesa do empresário afirmou que não houve qualquer motivo que justificasse sua prisão no âmbito da operação relacionada à investigação de fraudes no INSS. Os advogados disseram que houve arbitrariedade cometida durante a ação policial.

Caso revelado

O escândalo do INSS foi revelado pelo Metrópoles em uma série de reportagens publicadas a partir de dezembro de 2023. Três meses depois, o portal mostrou que a arrecadação das entidades com descontos de mensalidade de aposentados havia disparado, chegando a R$ 2 bilhões em um ano, enquanto as associações respondiam a milhares de processos por fraude nas filiações de segurados.

As reportagens do Metrópoles levaram à abertura de inquérito pela Polícia Federal (PF) e abasteceram as apurações da Controladoria-Geral da União (CGU). Ao todo, 38 matérias do portal foram listadas pela PF na representação que deu origem à Operação Sem Desconto, deflagrada no dia 23/4 e que culminou nas demissões do presidente do INSS e do ministro da Previdência, Carlos Lupi.

Açaí Nova Cruz

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