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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

‘Atentado’, Dilma, Michelle Bolsonaro e vídeos falsos: desmentimos os boatos sobre Brumadinho

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O rompimento da barragem em Brumadinho, Minas Gerais, motivou a criação de vários boatos e teorias conspiratórias. Reunimos abaixo as informações falsas sobre o assunto que têm circulado com mais frequência. Se você receber alguma corrente do tipo pelo WhatsApp, nos envie ao número (11) 99263-7900 — isso ajuda a identificar quais mentiras estão sendo compartilhadas. Atualizaremos esta publicação à medida que checarmos outros boatos.

No calor de momentos de crise e tragédia, é comum que as pessoas compartilhem mensagens sem checá-las. Mas é importante se valer do ceticismo e pensar duas vezes antes de repassar conteúdo criado por fontes anônimas. Um passo simples e que pode evitar muita desinformação é usar o Google ou outra ferramenta de busca para pesquisar palavras-chave relacionadas ao conteúdo que você quer verificar. Veja outras dicas aqui.
Vaca atolada em área devastada pela lama em Brumadinho Foto: Wilton Junior/Estadão

Resgate de bebê não foi em Brumadinho, e sim na Síria


O vídeo do resgate de uma criança tem circulado com a legenda falsa “militar israelense não conteve as lágrimas após encontrar bebê com vida em Brumadinho”. Na verdade, a gravação é de 2016, em Idlib, na Síria. O homem que chora no vídeo é um voluntário do grupo sírio Capacetes Brancos chamado Abu-Kifah.




Na época, a filmagem viralizou no mundo inteiro. Segundo o portal G1, Abu-Kifah passou horas escavando entre escombros para encontrar a menina Wahida Ma’artouk, de um mês de idade. O voluntário morreu um ano depois, em um ataque à sede dos Capacetes Brancos em Idlib.

Os sites Aos Fatos e Agência Lupa também checaram essa peça de desinformação.

Entrevista com terceirizada é verdadeira, mas afirmações não são checáveis

Um vídeo em que uma funcionária terceirizada da Vale acusa a empresa de saber o estado da barragem que caiu chegou com frequência ao nosso WhatsApp nesta quarta-feira, 30. A entrevista, dada à Rede Minas, é verdadeira. No entanto, as acusações da funcionária, contratada pela empresa Sodexo, não são passíveis de verificação, já que ela relata ter ouvido uma conversa em reunião com diretores da Vale na qual eles dariam a entender que sabiam das condições da barragem.
ONU e OAB se pronunciaram sobre rompimento de barragem

Também tem sido compartilhada no WhatsApp a falsa acusação de que a Organização das Nações Unidas (ONU) e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) não se posicionaram sobre o desastre em Brumadinho.

A ONU pediu investigação criminal sobre o rompimento da barragem; o relator da entidade sobre a implicação para os Direitos Humanos da Gestão Ambiental e Substâncias Tóxicas, Baskut Tuncak, tentou reiteradas vezes viajar ao Brasil para avaliar a situação das barragens e do meio ambiente após o incidente em Mariana, mas não obteve aval do governo brasileiro.

A OAB também se posicionou sobre o caso de Brumadinho, pedindo mudanças na legislação sobre barragens de rejeitos de minérios. A entidade enviou integrantes da Comissão Nacional de Direito Ambiental e da Comissão Ambiental da OAB-MG ao local.



Vídeo de mulher saindo viva da lama é do Peru, não de Brumadinho

Um vídeo enganoso que circulou nas redes sociais mostra uma mulher saindo viva do meio da lama num desastre natural. No entanto, as imagens não foram feitas em Brumadinho, e sim no Peru, como mostrou checagem da Agência Lupa. A mulher se chama Evangelina Chamorro Díaz, que se salvou de um deslizamento em Punta Hermosa, subúrbio de Lima, em março de 2017.
Vale não é controlada por empresas do PT

Outra informação falsa enviada ao WhatsApp do Estadão Verifica diz respeito à composição acionária da Vale. O texto tira de contexto, exagera e não atualiza informações contidas em um artigo publicadooriginalmente em novembro de 2015.

Segundo a mensagem, o Partido dos Trabalhadores teria controle sobre mais de 60% das ações da Vale. O texto diz que a ‘recompra’ da Vale teria se dado por meio das empresas Litel e BNDESPar. A primeira é formada por fundos de pensão ligados a companhias estatais; a segunda é o braço de investimentos do banco estatal BNDES.




No entanto, as duas empresas não controlam o percentual de ações informado no boato: segundo a composição acionária divulgada pela Vale em dezembro de 2018, a Litel detinha 20,9% das ações e a BNDESPar, 6,7%. A maior parte das ações atualmente pertence a investidores estrangeiros (47,7%).

A Vale também não é presidida por um “ex-sindicalista amigo de Lula”. O CEO da companhia é Fabio Schvartsman, que já presidiu a empresa de papéis Klabin.


Helicóptero sobrevoa a cidade de Brumadinho, buscando vítimas após o rompimento da barragem Foto: Wilton Junior/Estadão


Conta do Banco do Brasil com Prefeitura de Brumadinho é verdadeira

Outra informação que circulou é a de que a conta criada pelo Banco do Brasil para receber dinheiro e ajudar as vítimas seria falsa. No entanto, o banco estatal de fato abriu uma conta em parceria com a Prefeitura de Brumadinho. A informação está no próprio Twitter oficial do BB. Os dados são: agência 1669-1; conta 200-3; CNPJ 18.363.929/0001-40.
No entanto, também houve indícios de que contas falsas foram criadas para lucrar em cima de uma suposta ajuda às vítimas. Por isso é importante se certificar da veracidade das informações referentes à conta — antes de finalizar uma transferência, por exemplo, é possível verificar os dados do beneficiário. A própria Polícia Militar alertou para esse tipo de cuidado.
Segundo a PM, as doações em forma de mantimentos, não em dinheiro, seriam desnecessárias no momento — é preferível a ajuda financeira. Os alimentos em excesso podem causar perdas.

Decreto não isenta responsabilidade de empresas em rompimento de barragens

A tragédia em Brumadinho voltou a chamar atenção para o decreto 8.572, de 13 de novembro de 2015, assinado pela presidente cassadaDilma Rousseff poucos dias após o desastre em Mariana. O texto do documento que circula no WhatsApp é verdadeiro, e tem trecho que diz que “considera-se também como natural o desastre decorrente do rompimento ou colapso de barragens que ocasione movimento de massa, com danos a unidades residenciais”.
O que pode passar despercebido é que o decreto dispõe sobre o uso doFundo de Garantia de Tempo de Serviço (FGTS). A lei estabelece que o trabalhador pode sacar do FGTS em caso de desastres naturais; o que o decreto fez foi incluir rompimento de barragens nesta categoria.
A medida foi criticada à época, por criar uma brecha que poderia ser usada pela mineradora Samarco. Atualmente, no entanto, o texto do decreto circula sem contexto, o que pode gerar desinformação.
Os sites Boatos.Org e E-Farsas já haviam checado essa informação em 2015.

Vídeo que mostra “momento exato do rompimento da barragem” é de 2015

Após o rompimento da barragem da Vale, vários vídeos e imagens antigas foram falsamente associadas à tragédia. Um deles é a filmagem de um desmoronamento que, na verdade, ocorreu em 2015, em uma usina hidrelétrica em Sinop, no Mato Grosso.


Para identificar falsas associações como essa, uma ferramenta útil é a pesquisa reversa por imagens, oferecida por buscadores como Google e TinEye. A busca permite encontrar sites onde a imagem foi publicada anteriormente, permitindo assim encontrar o conteúdo original.
Este boato também foi desmentido pela Agência LupaBoatos.OrgE-Farsas e Aos Fatos.

Filmagem de desastre em Mariana também foi erroneamente ligada a Brumadinho

Outro exemplo de vídeo tirado de contexto é a filmagem do rompimento da barragem de Fundão, em Mariana. Segundo o portal R7, a publicação original foi feita por Pedro Paulo Barbalho, ex-funcionário terceirizado da mineradora Samarco, em março de 2016. O vídeo tem pouco mais de seis minutos e mostra a formação de um impressionante mar de lama.
A forma de encontrar o conteúdo verdadeiro é a mesma do boato anterior: por meio da busca reversa de imagens.

Vídeo de “rio de lama” foi feito em Laos, na Ásia

O vídeo de um desastre ocorrido em Laos, país no sudeste asiático, também foi falsamente associado a Brumadinho. A filmagem mostra um rio de lama que arrasta um carro e invade uma casa; mas o fato ocorreu em 2017, quando a barragem de uma hidrelétrica cedeu. É possível perceber que os gritos não são em português e não foram no Brasil.


PRF não prendeu venezuelano e cubano envolvidos com rompimento da barragem

desmentimos esse boato por aqui, mas ele continua a viralizar. Trata-se de um texto que afirma que um venezuelano e um cubano foram presos pela Polícia Rodoviária Federal a 68 quilômetros de Brumadinho, sob a suspeita de terem explodido a barragem da Vale. Eles seriam parte, segundo o texto, de células terroristas que se infiltraram em território nacional para sabotar o governo Bolsonaro.

É tudo falso: a PRF já informou que “não registrou ocorrências envolvendo estrangeiros no estado de Minas Gerais ou quaisquer outras prisões que tenham relação com a tragédia em Brumadinho”.
Michelle Bolsonaro não desabafou sobre tragédia em Brumadinho

Circula no WhatsApp e nas redes sociais um suposto desabafo da primeira-dama, Michelle Bolsonaro. “Hoje li algo que alguém escreveu, dizendo que Brumadinho está colhendo o que plantou! Simplesmente porque nessa cidade Bolsonaro conseguiu 60% dos votos!”, começa o texto.

No entanto, a publicação foi feita em um perfil falso da primeira-dama. Michelle não tem nenhuma página oficial no Facebook. A mensagem contém outros sinais de boato: erros de gramática e pontuação. O único elemento verdadeiro no boato é que, de fato, a maioria dos eleitores de Brumadinho (63%) votou em Jair Bolsonaro no 2º turno.



A desinformação também foi checada pelo site Boatos.Org.

Fonte: Estadão

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