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Segundo o IML, cerca de 80 dos 121 mortos foram identificados.
Familiares aguardam em frente ao IML a liberação dos corpos de mortos em megaoperação no Rio de Janeiro —
Foto: Laís Vieira / CBN
Familiares dos mortos na megaoperação nos complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro, estão desde cedo no Instituto Médico Legal Afrânio Peixoto, no Centro do Rio de Janeiro. No local, uma força-tarefa trabalha para identificar os corpos dos suspeitos mortos pela polícia na operação mais letal da história do Brasil.
Moradores levam dezenas de corpos à praça da Penha após operação mais letal do Rio de Janeiro — Foto: José Lucena/Thenews2/Agência O Globo
Segundo o IML, cerca de 80 dos 121 mortos foram identificados. O local foi reservado exclusivamente para receber os mortos da ação.
A Fabiana Alves Martins chegou do Espírito Santo ao Rio de Janeiro, na noite desta quarta-feira (29), e tenta fazer o reconhecimento do filho, Fabian Alves Martins, de 22 anos. Com a roupa para enterrar o filho nas mãos, ela disse que só quer fazer um velório digno.
'Eu quero enterrar o meu filho, só isso que eu estou querendo'.
'Trinta e oito horas que ele está já morto, todos sabemos que fica em decomposição, a gente não vai ter direito de enterrar o nosso filho, entendeu? A gente não tem direito de enterrar. Tem minhas crianças pequenas, irmão dele, que precisa ver o irmão.
Aí o que acontece? Eu trouxe a roupa do meu filho, eu quero enterrar o meu filho, só isso que eu estou querendo. Agora a gente não pode nem ficar sentado, a gente tem que ficar em pé aqui e ficar aguardando a ligação deles e eu preciso levar ele porque a gente mora muito longe. Meu filho é querido'.
Marinei do Rosário viajou do Pará e tenta resolver os trâmites da liberação e translado do corpo do sobrinho.
'Não é isso que a família queria para ele, era um garoto cheio de sonhos'.
'Eu não sou a mãe, eu sou a tia. Ele foi criado com a minha mãe. Como a minha mãe não pôde estar aqui, ela tem uma idade avançada, eu vim. Não é isso que a família queria para ele, era um garoto cheio de sonhos. Acabou de fazer 18 anos, mas infelizmente ele acabou trilhando outro caminho.
Eu só quero levar ele de volta para casa e poder dar a ele um enterro digno e dizer: mãe, está aqui seu neto. Quero que ele saiba, onde quer que ele esteja agora, que ele foi muito amado'.
Três corpos já seguiram para velórios nos cemitérios de Irajá e Inhaúma, na Zona Norte do Rio. Outro será levado para Belém do Pará. Representantes da Defensoria Pública também estão no IML para dar suporte aos familiares dos mortos.
Familiares aguardam em frente ao IML a liberação dos corpos de mortos em megaoperação no Rio de Janeiro —
Foto: Laís Vieira / CBN
Devido à grande quantidade de corpos, a força-tarefa conta com peritos de outras cidades, além da capital fluminense. Para agilizar o trabalho, o IML solicitou acesso a bancos de dados de fora do Rio para cruzar informações e confirmar identidades.
Os dois PMs que morreram no confronto com os traficantes serão enterrados nesta quinta-feira (30). Nesta quarta-feira (29), foram enterrados os dois policiais civis mortos no confronto com os traficantes.
Escritório de combate
Castro e Lewandowski anunciam parceira contra o crime organizado — Foto: Reprodução
Em entrevista coletiva na noite desta quarta-feira (29), o governador Cláudio Castro e o ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, anunciaram uma parceria entre os governos estadual e federal para combater o crime organizado no Rio de Janeiro, após a megaoperação que deixou ao menos 119 pessoas mortas.
Uma das medidas é a criação de um escritório emergencial para o enfrentamento do crime organizado.
'Tivemos um diálogo importante. Se o problema é nacional, o Rio de Janeiro é um dos principais focos. Daqui saiu uma proposta concreta: a criação de um Escritório Emergencial de Enfrentamento ao Crime Organizado', anunciou o governador Cláudio Castro.
Segundo ele, o novo escritório será coordenado por representantes do governo do estado e do governo federal.
'A ideia é que nossas ações sejam 100% integradas a partir de agora, inclusive para vencermos possíveis burocracias. Vamos integrar inteligências, respeitar as competências de cada órgão, mas pensando em derrubar barreiras para, de fato, fazer segurança pública', completou.
Além disso, o ministro Lewandowski anunciou que o governo federal prestará apoio ao Rio de Janeiro com o envio de especialistas para intensificar as investigações e ações na área de segurança pública.
'Colocamos à disposição do governador e das autoridades de segurança peritos criminais que podem ser mobilizados pela Força Nacional e também de outros estados. Médicos legistas, odontólogos, peritos. Também temos bancos de dados no que diz respeito a DNA, balística, tudo isso estamos colocando à disposição do governador' (...) Estamos enfrentando um problema muito sério, não só aqui no Rio de Janeiro, mas que se espalha por todo o país. Por isso, vamos reunir todos os nossos esforços, investir recursos materiais e humanos para enfrentá-lo da forma mais coordenada possível. Claro que essas forças-tarefa, esses escritórios, surgem por um tempo, são emergenciais. Mas, tendo em vista o empenho de todos nós, teremos em breve bons resultados'.
Megaoperação no Rio de Janeiro — Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo
Megaoperação no Rio de Janeiro — Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo
Megaoperação no Rio de Janeiro — Foto: José Lucena/Thenews2/Agência O Globo
O ministro da Justiça acrescentou que o governo federal vai reforçar a presença da Polícia Federal e da Força Nacional no Rio de Janeiro, em resposta ao aumento da violência no estado.
'Durante a crise, já aumentamos o efetivo da Polícia Federal no entorno da capital em pelo menos 50 integrantes. Em breve, enviaremos outro número equivalente. Claro que temos um número relativamente pequeno para patrulhar todo o território, mas, nesta situação de emergência, vamos ampliar. Também vamos aumentar, dentro do possível, o número de integrantes da Força Nacional. O senhor governador certamente fará um pedido para que nós, dentro das nossas possibilidades, façamos isso. Essa é a rotina: o governador solicita, nós estimamos os números disponíveis e autorizamos o deslocamento dessas forças'.
A operação provocou um mal-estar interno no governo Lula, após o diretor-geral da PF admitir que a corporação foi avisada sobre a investida da polícia do Rio. Andrei Rodrigues, no entanto, explicou que houve um contato com a Superintendência da PF no Rio, mas que uma avaliação operacional indicou que “não era razoável” a Polícia Federal participar.
Diante do impacto da fala, o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, tentou reduzir a repercussão: disse que a troca de informações sobre uma operação dessa magnitude não poderia ter sido ser feita entre autoridades do segundo ou terceiro escalão:
Lewandowski afirmou, ainda, que Lula ficou “estarrecido” com o número de mortos. Em entrevista à Globonews, a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, disse que o pedido de ajuda do Rio de janeiro não foi feito formalmente.
Fonte: CBN
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