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quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

Mulher que teve pernas amputadas após ser atropelada e arrastada passa por 3ª cirurgia: 'Foi um sucesso', diz família



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Narrador Inteligente Ouvir Matéria

                                 



Procedimento durou quase sete horas. O motorista Douglas Alves da Silva afirmou à polícia que entrou em briga para defender um amigo, levou garrafada, fugiu ameaçado e só descobriu que a mulher estava presa sob o carro quando motoristas o alertaram na Marginal Tietê.

Tainara Souza Santos, que teve as pernas amputadas depois de ser atropelada e arrastada até a Marginal Tietê no sábado (30), passou pela terceira cirurgia nesta terça-feira (2), desta vez para enxerto no quadril.

Segundo informações da família, o procedimento, que se iniciou às 13h e se encerrou às 19h40, "foi um sucesso", mas ela segue sedada.

O motorista, Douglas Alves da Silva, de 26 anos, afirmou à Polícia Civil que não percebeu ter atropelado e arrastado Tainara.

O interrogatório do suspeito de tentativa de feminicídio foi feito no 90º Distrito Policial, no Parque Novo Mundo, na segunda-feira (1º), um dia após ser preso.

Douglas disse que nunca havia visto Tainara antes do dia da ocorrência e que o atropelamento aconteceu enquanto tentava deixar o local após uma briga dentro do Bar do Tubarão, no Parque Novo Mundo, na Zona Norte.

Segundo o depoimento, ao qual a TV Globo teve acesso, Douglas teria tentado defender o amigo Kauan após ele ter se desentendido com um homem que estava com a vítima (leia mais abaixo).

Tainara Souza Santos — Foto: Arquivo pessoal


A versão de que o acusado não conhecia Tainara é a mesma dita por ele quando foi preso no último domingo (30) em um hotel na Vila Prudente, também na Zona Leste. No interrogatório, Douglas disse que foi orientado por um advogado a esconder o carro em um local longe dos fatos (leia mais abaixo).

No ato da prisão, Douglas tentou reagir e tomar a arma de um policial e foi baleado. Já na viatura para ser levado à delegacia, o agressor de Tainara disse que a intenção dele era atropelar um acompanhante da mulher que supostamente havia o ameaçado de morte.

O g1 não conseguiu localizar a defesa do acusado até a última atualização desta reportagem.

Briga no bar

No interrogatório, Douglas afirmou que não conhecia Tainara, que tem 31 anos, e que só a viu no momento da briga entre seu amigo Kauan e o “provável companheiro dela”. Ele declarou que tentou defender o amigo, foi atingido no rosto por uma garrafada e deixou o bar.

Do lado de fora, segundo ele, continuou sendo ameaçado. Ao entrar no carro, disse ter visto o casal do outro lado da rua.

Ele também disse acreditar que o veículo não avançava porque estava com “problema mecânico em face do impacto com a moça”, e, por isso, acelerou para tentar sair do local.

Douglas afirmou que populares começaram a bater no carro, e ele fugiu em alta velocidade, sem imaginar que ela estava presa sob o veículo.

Já na Marginal Tietê, segundo o depoimento, motoristas começaram a buzinar. Douglas relatou que só então abaixou o vidro e ouviu de pessoas na via que havia uma mulher presa na parte traseira do carro. Ele parou metros à frente, perto de um posto de gasolina, mas fugiu a pé ao perceber que pessoas tentavam abrir a porta do veículo.

Kauan, o amigo que estava com ele, desceu do carro antes da fuga, segundo o depoimento. Em nota, a defesa de Kauan Silva Bezerra afirmou que ele compareceu "espontaneamente à delegacia e que foi ouvido na condição de testemunha".

"Dessa forma, é totalmente falsa qualquer informação que sugira que o Sr. Kauan estivesse foragido, bem como qualquer insinuação de participação no crime atualmente apurado", diz nota.



Acusado escondeu carro

Douglas contou ainda que ligou para familiares, falou com um advogado e foi orientado a esconder o carro distante do local dos fatos. Ele deixou o veículo na garagem do ex-sogro, no Itaim Paulista, na Zona Leste, e depois tentou se hospedar em hotéis afastados.

Foi preso no dia seguinte após pegar um carro de aplicativo até um hotel na Vila Prudente, também na Zona Leste.

No depoimento, Douglas declarou estar “completamente arrependido” e negou qualquer relação com Tainara.

A Polícia Civil investiga se o atropelamento foi intencional e apura todas as circunstâncias da fuga e do resgate da vítima. O caso é tratado como tentativa de feminicídio motivada por extrema crueldade.

Relembre o crime

Segundo a Polícia Civil e relatos de testemunhas, o crime ocorreu por volta das 6h do sábado (29), depois que Tainara deixou um bar no Parque Novo Mundo, na Zona Norte de São Paulo.

Tainara tinha passado a madrugada no Bar do Tubarão, na Rua Tenente Amaro Felicíssimo, com uma amiga.

A amiga contou à polícia que se afastou por alguns minutos e só soube do atropelamento quando foi avisada por volta das 6h30.

Relatos colhidos no local afirmam que Douglas avançou com o carro contra Tainara após uma discussão.

Um funcionário do bar disse que viu o agressor acelerar o veículo na direção da vítima e, depois de atingi-la, puxar o freio de mão para aumentar o atrito do carro sobre o corpo dela.

As testemunhas afirmam que Douglas teria agido por ciúmes. De acordo com apuração da TV Globo, ele teria visto Tainara conversando com outro homem no bar e iniciado uma discussão antes do atropelamento.

Tainara Souza Santos teve as pernas amputadas devido à extensão das lesões. Nesta terça, ela foi submetida à terceira cirurgia. As imagens do momento em que ela é arrastada foram entregues à polícia por uma testemunha e circulam nas redes sociais (veja vídeos nesta reportagem).

Infográfico - Mulher é atropelada e arrastada por mais de 1 km em SP — Foto: g1 SP

Douglas Alves da Silva, que atropelou e arrastou mulher na Marginal Tietê, é preso — Foto: Reprodução/TV Globo

Tainara é mãe de dois filhos, um de 12 e uma de 7 anos. — Foto: Reprodução

Testemunhas tentaram impedir que ela fosse arrastada, mas o motorista fugiu em alta velocidade. — Foto: Reprodução

Fonte: G1 Globo 


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Açaí Nova Cruz

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