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sábado, 17 de janeiro de 2026

Após nora, Otto Alencar consolida poder na Bahia com filho em TCE



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Enquanto a nora é assessora em um tribunal de contas da Bahia desde novembro de 2010, o filho se tornou conselheiro em outro, em 28 de dezembro: é assim que o senador Otto Alencar (PSD-BA) amplifica a própria influência no estado. Mas a relação dele com as cortes, responsáveis pela fiscalização contábil, é mais antiga, uma vez que o próprio parlamentar – atual presidente da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado – ocupou cargo semelhante ao do herdeiro antes de alavancar a carreira política.

A consolidação do poder veio no apagar das luzes de 2025, quando Otto Alencar Filho, de 48 anos, renunciou à vaga na Câmara dos Deputados para tomar posse como conselheiro no Tribunal de Contas do Estado da Bahia (TCE-BA). Trata-se de um cargo vitalício, com rendimentos que ultrapassam o teto constitucional – e do Congresso Nacional – devido aos penduricalhos.

Levantamento da coluna mostra que o TCE-BA desembolsou supersalários acima de R$ 82,9 mil por mês a conselheiros em 2025. O total ultrapassou R$ 4,4 milhões.

Confira as remunerações mínima e máxima de cada conselheiro do TCE-BA em 2025:







Otto Filho chegou ao cargo por indicação do governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), aliado do pai. No xadrez da política, pesou a favor do ex-deputado federal a movimentação de Otto Alencar.
“Tenho formação acadêmica sólida com uma especialização internacional e três pós-graduações nacionais, bem como um histórico de conquistas e realizações no setor privado de aproximadamente 25 anos, como executivo e empresário, e no setor público de 10 anos”, disse o novo conselheiro do TCE-BA à coluna.

Agora, o ex-deputado federal pelo PSD se junta à esposa, Renata Giannini Garcia Alencar, de 47 anos. A educadora física é assessora no Tribunal de Contas dos Municípios do Estado da Bahia (TCM-BA) há 15 anos. Na Corte, o sogro, Otto Alencar, foi conselheiro de outubro de 2004 a março de 2010 – antes, havia sido governador da Bahia em um mandato-tampão de abril de 2002 a janeiro de 2003, em substituição ao titular.



O interesse político em tribunais de contas


Cargos em tribunais de contas, sobretudo os de conselheiros, são cobiçados por motivos que vão além do fato de serem postos vitalícios, com aposentadoria compulsória aos 75 anos, e dos “penduricalhos”. A disputa principal passa pelo poderio nas mãos dos indicados.

A principal atribuição desses tribunais é fiscalizar o uso de dinheiro público. Além disso, acompanham a execução do orçamento e julgam as contas dos respectivos governantes – com isso, há a avaliação de que uma parcela dessas Cortes abriga “currais eleitorais”. Enquanto o TCE-BA cuida das finanças da Bahia a nível estadual, o TCM-BA realiza esse trabalho em relação aos municípios.

Em conversa com a coluna, Otto Filho negou que haja relação entre a tradição política da família e os trabalhos dele e de Renata Alencar. O ex-deputado federal avaliou que as nomeações se basearam em “competência, ética, mérito e profissionalismo” de ambos.

“Minha esposa tem o mesmo perfil [que eu], tendo sido empresária no ramo da educação, dona de uma escola de inglês durante muitos anos e, depois, no setor público, também com um histórico de ética, competência e resultado, cumprindo com suas obrigações laborais com total comprometimento e responsabilidade, sem faltar um dia”, ponderou o novo conselheiro do TCE-BA.



Linha do tempo mostra o avanço da influência de Otto Alencar




Renata Alencar ocupa cargo comissionado no gabinete do corregedor do TCM-BA, conselheiro Plínio Carneiro Filho. Ela recebeu do tribunal R$ 32.148,66, de salário bruto a penduricalhos, em novembro passado.

A data da nomeação de Renata Alencar, ocorrida em novembro de 2010, chama a atenção: foi apenas um mês depois de o sogro se eleger vice-governador da Bahia na chapa com Jaques Wagner (PT). Hoje presidente da CCJ e líder do PSD no Senado, Otto Alencar havia deixado o cargo de conselheiro no TCM-BA em março daquele ano.

Plínio Carneiro Filho, então servidor concursado da Corte de Contas, passou a ocupar a cadeira dele, por indicação de Jaques Wagner. À coluna elogiou a nora do antecessor.



“É uma das que mais produz. Lá no tribunal, nós temos avaliação todo ano. Tem meta a ser cumprida e tem a avaliação. Então, na hora de estipular a meta, você bota o número de processos que quem trabalha na área finalística, como ela, precisa fazer”, disse o corregedor do TCM-BA.

Também afastou a ideia de que tenha havido indicação política na nomeação, “até mesmo porque o marido dela nem era político na época”. Questionado se a influência teria partido de Otto Alencar, também negou. “O sogro não teve influência, não. O sogro trabalhou no TCM, saiu e foi para o governo do estado ser vice-governador”, assinalou.



A vida e a família de Otto Alencar


Renata Alencar tem um perfil público e outro privado no Instagram, nos quais usou um dos sobrenomes de solteira para criar as contas. Na biografia de um deles, identifica-se como “educadora física” e informa que tem “pós em treinamento feminino” – o que destoa das áreas de formação necessárias para atuar num tribunal de contas –, além de casada e mãe.

Compare os perfis da nora de Otto Alencar


As publicações dela mostram rotina de treinos e viagens internacionais com a família, sem qualquer menção ao trabalho no TCM-BA, onde está lotada há 15 anos. Confira:





Segundo escreveu Renata Alencar em uma publicação, o relacionamento com Otto Filho já dura três décadas. O casal tem uma filha de 23 anos e um rapaz de 18.

Antes do TCM-BA, um registro da Assembleia Legislativa da Bahia (Alba) indica que a educadora física trabalhou até 2015 para o então deputado estadual Ângelo Coronel, atual senador pelo PSD e correligionário de Otto Alencar.

À época da nomeação da esposa, Otto Filho ainda era pouco conhecido e tinha carreira em empresas privadas. A estreia no setor público veio em fevereiro de 2015 ao assumir como presidente da Agência de Fomento do Estado da Bahia S.A (Desenbahia). O conselheiro deixou o posto em março de 2018 para se lançar à Câmara dos Deputados.

Elegeu-se deputado federal em outubro daquele ano, sob a herança do capital político e a influência do sobrenome do pai. Em 2022, foi o mais votado na Bahia e se consolidou no PSD, partido que Otto Alencar ajudou a fundar e preside no estado.

Segundo informou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), gastou R$ 904 mil e R$ 1,6 milhão durante as respectivas campanhas. O patrimônio declarado de Otto Filho saltou de R$ 1 milhão para R$ 1,6 milhão entre os dois pleitos.

Ao renunciar à Câmara a dois dias do Natal, o então parlamentar também abdicou dos postos de vice-líder do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Congresso Nacional e de 1º vice-presidente da Comissão de Minas e Energia (CME). O deputado Charles Fernandes (PSD-BA) assumiu o mandato.

A coluna procurou a assessora Renata Alencar e o senador Otto Alencar, assim como o TCE-BA e o TCM-BA. Não houve resposta até a publicação desta reportagem.

Fonte: Metrópoles








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