O desaparecimento de duas crianças em Bacabal, no interior do Maranhão, intriga autoridades e mobiliza uma grande força-tarefa. O caso, que já dura mais de duas semanas, é cercado de pontos ainda sem explicação.
Os pontos misteriosos
1) O desaparecimento sem vestígios. Não foram encontrados pedaços de roupas, objetos pessoais ou marcas claras de deslocamento contínuo.
2) A interrupção dos rastros em uma casa. Embora autoridades tenham detectado que as crianças passaram por uma casa, não há trilhas ou sinais indicando para onde elas teriam seguido depois.
3) O relato incompleto do primo. Uma das crianças que também desapareceu foi encontrada, mas não consegue explicar como ocorreu a separação e nem por que apenas ele saiu da mata.
4) A decisão das crianças de entrar na mata, mesmo após um alerta do tio. Não está claro porque as crianças decidiram entrar no local e nem como se perderam já que a área não era desconhecida e as crianças costumavam brincar na região.
5) A ausência de indícios de crime. Não há suspeitos, testemunhas ou provas materiais que indiquem a participação de alguém no sumiço.
Entenda o caso
Desde 4 de janeiro, os irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, estão desaparecidos. As buscas intensas envolvem forças de segurança de diferentes estados, voluntários e cães farejadores, mas até agora não houve sucesso.
As crianças saíram para brincar na zona rural de Bacabal (MA), em uma área de mata próxima à comunidade quilombola São Sebastião dos Pretos. No mesmo dia, elas estavam acompanhadas do primo Anderson Kauã, de 8 anos, que foi encontrado com vida três dias depois.
Anderson foi localizado por carroceiros em uma estrada vicinal no povoado vizinho Santa Rosa, a cerca de 4 quilômetros em linha reta do local onde os três desapareceram. Ele estava debilitado e sem roupas, sendo encaminhado ao Hospital Geral de Bacabal para atendimento médico e psicológico. Exames descartaram qualquer indício de violência sexual.
Segundo a família, o tio das crianças, José Henrique Cardoso Reis, foi a última pessoa a vê-las juntas, por volta das 13h30 do dia 4 de janeiro. Ao notar que os três seguiam em direção à mata fechada, ele os advertiu e pediu que voltassem para casa. Por volta das 16h, a avó foi procurá-los, mas não obteve resposta.
O avô, José Reis, afirmou que era comum as crianças brincarem em casas vizinhas, já que a comunidade tem cerca de 250 moradores. No entanto, após horas de procura, a família percebeu que os três estavam desaparecidos.
Início das buscas
O Corpo de Bombeiros foi acionado imediatamente. Com o passar dos dias, a operação ganhou reforços de agentes do Pará, Ceará, além do Exército, Marinha e centenas de voluntários.
De acordo com a Secretaria de Segurança Pública do Maranhão (SSP-MA), cães farejadores indicaram que as crianças passaram por uma área conhecida como "casa caída", uma estrutura de madeira no meio da mata. Os cães apontaram que Anderson teria chegado ao local por um lado, enquanto Ágatha e Allan teriam vindo por outro, conforme o relato do menino.
Apesar disso, não foram encontrados vestígios recentes de alimentos, água, presença de adultos ou outros sinais que indicassem permanência prolongada no local. "Não há resquícios de comida, água ou passagem de adultos", afirmou o secretário de Segurança Pública, Maurício Martins.
Segundo ele, de forma preliminar, o caso é tratado como desaparecimento, sem indícios de envolvimento de terceiros. "É possível que tenham chegado lá sozinhas. O Kauã nega a participação de outras pessoas. As três crianças saíram do povoado e se perderam na mata. Esse é o ponto inicial da investigação", destacou.
As buscas continuam por terra e por água, inclusive com o uso de um sonar de varredura lateral. O equipamento da Marinha é capaz de mapear áreas submersas em rios de águas turvas ou profundas. A hipótese de afogamento chegou a ser considerada, mas até o momento nenhum indício foi encontrado.
Drones com sensores de movimento, lanchas, motos aquáticas, veículos especiais, helicópteros e cães farejadores seguem sendo utilizados. Segundo a SSP-MA, além dos agentes, mais de 500 voluntários auxiliam nas buscas.
Nenhuma hipótese está descartada
Com o passar do tempo e a ausência de pistas concretas, o caso ganha contornos cada vez mais enigmáticos. Até agora, não há confirmação sobre o paradeiro de Ágatha e Allan e nem se eles ainda estão vivos.
A "casa caída" permanece como a única pista material identificada, mas o que intriga as autoridades é a ausência total de vestígios após esse ponto. Não há marcas claras indicando se as crianças seguiram para outra área, se retornaram ou se algo diferente ocorreu.
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O relato de Anderson Kauã, embora importante, é considerado limitado. O menino reconhece alguns locais por onde passou, mas não consegue explicar com precisão quando ou como ocorreu a separação, nem por que apenas ele conseguiu sair da mata. Investigadores avaliam que o estresse e o trauma podem ter comprometido parte das memórias.
O governador do Maranhão, Carlos Brandão (PSB), afirmou que a investigação segue de forma silenciosa e criteriosa, sem descartar nenhuma possibilidade. Segundo ele, as buscas terrestres já cobriram uma área superior a 3.200 km².
Entre as principais hipóteses está a de que as crianças tenham se perdido ao tentar um atalho, como relatado por Anderson, o que pode ter agravado a situação. Familiares e moradores também levantaram a possibilidade de sequestro ou intervenção de terceiros, mas até o momento não há imagens, testemunhas confiáveis ou objetos que sustentem essa linha.
As dificuldades do terreno também pesam. A mata é fechada, há áreas alagadas, rios próximos e chuvas frequentes, fatores que podem ter apagado rastros ao longo dos dias.
Fonte: Uol
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