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domingo, 1 de março de 2026

Trump diz que aiatolá Ali Khamenei morreu após ataque dos EUA e Israel



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Israel e Estados Unidos fizeram um ataque contra o Irã no início da manhã deste sábado (28). Khamenei foi o chefe de Estado mais longevo do Oriente Médio.


Ali Khamenei, líder supremo do Irã. —
 Foto: Reprodução


O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que o aiatolá Ali Khamenei morreu após ataque dos EUA e Israel na manhã deste sábado (28). Em uma rede social, Trump disse que Khamenei não conseguiu escapar das redes de inteligência e rastreamento dos Estados Unidos. Ainda segundo o presidente, "não havia nada" que o líder supremo pudesse fazer.

O chefe de Estado mais longevo do Oriente Médio, o aiatolá Ali Khamenei, foi o segundo líder supremo do Irã desde a Revolução Islâmica de 1979. Ele assumiu o cargo em 1989.

Mas, antes de chegar ao poder, Khamenei teve uma formação religiosa. Ele nasceu em 1939 na cidade de Mashhad, no leste do Irã. Nos anos 1960, ao estudar religião, foi fortemente influenciado pelo pensamento do aiatolá Ruhollah Khomeini, que a partir do exílio na França, liderava uma oposição conservadora à monarquia do xá Mohammad Reza Pahlevi, que era aliado aos Estados Unidos.

Rapidamente, Khamenei se aproximou do movimento de Khomeini que tinha como objetivo derrubar o governo do xá Pahlevi, conter o predomínio árabe no Oriente Médio e afastar o país persa dos costumes ocidentais.

Ele participou ativamente dos protestos de 1978 que antecederam a Revolução Iraniana e se tornou um aliado próximo de Khomeini.

Em junho de 1981, Khamenei sofreu um atentado a bomba que deixou seu braço direito paralisado para sempre. Quatro meses depois, foi eleito presidente da República Islâmica do Irã, com 95% dos votos. Ele ascendeu ao posto aos 42 anos de idade – e foi o primeiro clérigo a assumir o cargo, consolidando o domínio da igreja sobre o Estado.

Em 1985, foi reeleito, e exerceu o cargo até 1989, quando seu líder e mentor Khomeini morreu de ataque cardíaco, aos 89 anos de idade.

O órgão responsável pela escolha do líder supremo, um conselho de clérigos, decidiu em comum acordo que Khamenei assumiria o cargo. Em 2018, um vídeo da reunião secreta de 1989 que levou a essa escolha vazou para a imprensa, revelando um Khamenei incrédulo e inseguro com a escolha.

"Eu realmente não mereço esse cargo. Com base na Constituição, não sou qualificado para o cargo e, do ponto de vista religioso, muitos de vocês não aceitarão minhas palavras como as de um líder. Que tipo de liderança será essa?".

Para empossar Khamenei, foi necessário fazer uma manobra. Na época, ele não tinha um currículo exigido pela Constituição para ser líder supremo. Então, ele foi nomeado de forma temporária. A Assembleia dos Peritos alterou a constituição e, em seguida, o confirmou no cargo.

A hesitação durou pouco. Um ano depois, Khamenei mudou a carta magna para permitir que ele permanecesse como líder supremo.

No poder, ele comandou uma teocracia e acumulou a posição de líder religioso e político. Com isso, ele teve um super-poder que dava a palavra final sobre todas as políticas públicas do país.

Pra isso, agiu para neutralizar oponentes e adotou uma estratégia de construir e fortalecer estruturas paralelas dentro do Estado que espelhavam algumas de suas instituições, como o Exército e as agências de inteligência. Foi o caso da Guarda Revolucionária do Irã.

Ao longo dos anos, Khamenei promoveu o ódio contra os Estados Unidos e Israel e fomentou o culto à sua personalidade.

Khamenei conseguiu atravessar diversas crises com países vizinhos da região, como o Iraque e Israel. E também com potências ocidentais, como os Estados Unidos.

Uma das estratégias centrais de política externa do aiatolá foi apoiar com dinheiro e armas organizações que atuavam como intermediários para confrontar Israel. Entre essas organizações, estão o Hezbollah, no Líbano; o Hamas, na Faixa de Gaza; e os houthis, no Iêmen, que formam o chamado Eixo da Resistência.

Na política interna, nas mais de três décadas no poder, Khamenei enfrentou diversas ondas de protestos. Em 2009, a reeleição de Mahmoud Ahmadinejad foi contestada pela população e desencadeou os maiores protestos no Irã desde 1979. O líder supremo insistiu que o resultado era válido e ordenou uma forte repressão à dissidência, resultando na morte de dezenas de apoiadores da oposição e na detenção de milhares.

A onda mais recente de oposição ao regime ocorreu em 2022, após a morte da jovem Mahsa Amini, que estava sob custódia da polícia moral iraniana. Ela não usava véu islâmico corretamente e foi morta.

Foram os maiores protestos em décadas no país, que estimularam muitas iranianas a se recusar a usar o lenço obrigatório.

Nos últimos anos, Khamenei viu a popularidade do regime cair, por causa da insatisfação dos iranianos com a economia, a falta de liberdade política e social e a repressão da polícia da moralidade.

O coordenador da Organização United4Iran no Brasil, Flávio Rassekh, classificou o regime como um retrocesso.

"A opressão dentro do Irã hoje está em um nível. O governo iraniano tem um mecanismo de monitoramento, de telefones, de conversas que só se comparam da Coreia do Norte. O Irã é o país que mais tem execuções por habitante no mundo. O Irã persegue minorias religiosas como os barrais. Por exemplo, se você é pego sem um véu cobrindo a cabeça, começa com 20 chibatadas e pode chegar até 100 chibatadas se você for recorrente. Não existe justificativa para esse nível de barbárie e massacre. Eu olho para a situação hoje como se a gente tivesse regredido 300 anos no tempo."

O líder supremo do Irã começou a montar um plano de sucessão a seu cargo, durante a guerra contra os Estados Unidos e Israel, em 2025, em que importantes instalações nucleares do país foram destruídas.

Durante o conflito que durou 12 dias, Khamenei se escondeu em um bunker e escolheu três candidatos para sucedê-lo. O seu segundo filho, Mojtaba, está na lista.

Fonte: CBN 




Açaí Nova Cruz

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