Movimento científico lança aplicativo e quer transformar conservação ambiental em pauta permanente no país
A proposta tem apoio em uma mobilização científica e social organizada em diferentes regiões do país, com participação de pesquisadores, estudantes, instituições acadêmicas e sociedade civil. Para os organizadores, a ideia vai além de uma celebração simbólica e busca consolidar a biodiversidade como tema permanente na agenda pública nacional.
“Queremos estruturar um movimento nacional contínuo de valorização do patrimônio natural brasileiro”, explica o professor e pesquisador da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, Fábio Roque. Ele é coordenador do Programa Prioritário de Bioeconomia do Pantanal e um dos articuladores da proposta. Roque considera que o objetivo é ampliar o envolvimento da população no monitoramento ambiental e aproximar a sociedade do conhecimento científico produzido sobre os biomas brasileiros.
“A ideia é que tenhamos um envolvimento das pessoas em diferentes lugares e contextos, desde ambientes marinhos até os topos das montanhas. Esperamos que esse engajamento resulte em participação efetiva, fortalecendo o uso de informações cidadãs relacionadas à biodiversidade para apoiar tomadas de decisão em todo o território nacional”, completa.
A conservação ambiental, a restauração de ecossistemas e monitoramento de espécies são temas recorrentes na agenda pública. O Brasil concentra uma das maiores diversidades biológicas do mundo, no entanto, enfrenta desafios relacionados à perda de habitats, pressão sobre biomas e necessidade de ampliar informações científicas sobre fauna e flora.
Ciência cidadã
Um dos pilares da proposta defendida pelos pesquisadores é a chamada ciência cidadã, que é um modelo em que a própria população ajuda na produção de dados científicos por meio do registro de espécies em aplicativos e plataformas abertas.
A mobilização nacional busca estimular que pessoas comuns participem do monitoramento da biodiversidade em parques, áreas urbanas, escolas e unidades de conservação. Professor e pesquisador da Universidade Federal do Pará (UFPA), Leandro Juen enfatiza que a iniciativa surgiu a partir da articulação entre universidades e grandes redes científicas brasileiras dedicadas ao monitoramento ambiental.
“Foi uma soma de esforços das grandes redes de monitoramento da biodiversidade do Brasil, estimulando grupos de pesquisa em todo o país a participar dessas ações”, afirma. A proposta é aproximar ciência e cotidiano, levando atividades para espaços públicos e ambientes frequentados pela população.
“Essas ações acontecem em escolas, feiras de ciência, praças, campos e parques com um objetivo muito claro: que a sociedade civil nos ajude no monitoramento da biodiversidade”, destaca.
Juen ressalta que os registros feitos pela população podem ter
impacto científico direto. “Aquele organismo que você está observando na
sua casa ou no parque pode ser muito importante para nós, porque esse
registro pode mudar muitas vezes até o status de conservação de uma
espécie”, explica. “Vamos trabalhar com os registros para identificar
espécies importantes para conservação e também espécies usadas para a
bioeconomia”, concluí.
Ações
Em Belém, a mobilização reúne ações promovidas pela Universidade Federal do Pará e grupos de pesquisa ligados ao monitoramento ambiental. As atividades incluem abordagens dentro da universidade, ações educativas e visitas guiadas em áreas verdes da capital paraense. A programação será uma atividade aberta ao público no Parque Estadual do Utinga “Camillo Vianna”, no dia 24 de maio, onde pesquisadores irão apresentar espécies da fauna e flora amazônica e orientar os participantes sobre o uso do aplicativo iNaturalist.
“Vamos ensinar as pessoas a baixar o aplicativo e mostrar como elas podem contribuir para o avanço do conhecimento em biodiversidade”, afirma Leandro Juen. “Não tem limite de idade. Pode ser criança, adulto ou idoso. Todos estão convidados para participar conosco dessa ação”, conclui.
A mobilização nacional já reúne centenas de atividades distribuídas pelos 26 estados e o Distrito Federal, com pesquisadores, instituições científicas e sociedade civil em torno da defesa da biodiversidade brasileira.
Em São Paulo, por exemplo, a Fundação Florestal programou mais de 40 atividades em Unidades de Conservação estaduais, incluindo observação de fauna noturna, atividades de botânica com uso do aplicativo iNaturalist e ações educativas com estudantes. Já na capital paulista, moradores organizaram iniciativas familiares de observação da natureza em jardins urbanos.
Na Terra Indígena Sete de Setembro, em Rondônia, o Centro Cultural Indígena Paiter Wagôh Pakob promove atividades de monitoramento participativo e valorização do conhecimento ecológico tradicional. Em Ubatuba (SP), uma programação organizada pela Liga das Mulheres pelo Oceano reúne mulheres negras em trilha por manguezais e rodas de conversa sobre biodiversidade e ancestralidade. Já em São Simão (SP), uma atividade noturna chamada “Corujada” une observação de aves, fotografia de natureza e educação ambiental.
Fonte: um só planeta

















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