Em novembro de 2025, a Química Amparo, fabricante da marca Ypê, disse ter encontrado bactéria em lotes específicos de lava-roupas líquidos. Agora em maio, Anvisa disse ter encontrado falhas graves nas Boas Práticas de Fabricação.
Anvisa determinou suspensão da fabricação e recolhimento de produtos da marca Ypê — Foto: Divulgação
A Química Amparo, fabricante da marca Ypê, afirmou, em novembro de 2025, que a identificação da bactéria Pseudomonas aeruginosa em lotes específicos de lava-roupas líquidos levou empresa a anunciar, ainda no ano passado, um recolhimento voluntário cautelar de parte de seus produtos (entenda mais sobre a bactéria abaixo).
Agora, nesta quinta-feira (7), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária determinou medida mais ampla: suspendeu a fabricação e ordenou o recolhimento de todos os lotes com numeração final 1 de detergentes, sabões líquidos e desinfetantes fabricados na unidade da empresa em Amparo (SP).
Sobre a recente medida da Anvisa, a Ypê manifestou "indignação com a decisão", classificou a medida como "arbitrária e desproporcional" e informou que vai recorrer. A empresa alega ter laudos de análises independentes que comprovam que os produtos são "totalmente seguros e adequados para consumo".
"A Ypê esclarece que possui fundamentação científica robusta, baseada em testes e laudos técnicos independentes, atestando que seus produtos das categorias lava-louças, lava-louças concentrado, lava-roupas líquido, e desinfetante são seguros e não representam qualquer risco ao consumidor", informou a empresa, descartando problemas atuais com a bactéria encontrada em novembro.
Pseudomonas aeruginosa com pigmento fluorescente em luz UV — Foto: BiotechMichael/Divulgação
O que é a bactéria encontrada em novembro
A Pseudomonas aeruginosa é um microrganismo comum no ambiente. Está presente no ar, na água, no solo e pode ser encontrado inclusive na pele de pessoas saudáveis. Ela é classificada na literatura médica como uma bactéria oportunista: raramente causa infecção em pessoas saudáveis, mas pode provocar ou agravar quadros infecciosos em pessoas com o sistema imunológico comprometido.
É justamente esse perfil que explica o teor do comunicado da empresa, direcionado especialmente a imunossuprimidos, cuidadores e profissionais de saúde.
De acordo com o Manual MSD, referência em informações médicas, "essas bactérias são favorecidas por áreas úmidas, como lavatórios, sanitários, banheiras de hidromassagem e piscinas com cloro inadequado, e soluções antissépticas vencidas ou inativadas. Às vezes, essas bactérias estão presentes nas axilas e na área genital de pessoas saudáveis".
As infecções por Pseudomonas aeruginosa variam de infecções externas pequenas a distúrbios sérios com risco de morte, segundo a MSD.
Fábrica da Ypê em Amparo (SP) — Foto: Ypê/Divulgação
Quem são os imunossuprimidos
São pessoas cujo sistema de defesa do organismo está enfraquecido, seja por doenças ou por tratamentos. Entram nesse grupo, por exemplo:
•Pacientes em tratamento contra o câncer (quimioterapia, radioterapia)
•Pessoas transplantadas que usam imunossupressores
•Pessoas com HIV/aids sem controle adequado
•Pacientes em uso prolongado de corticoides ou outros imunossupressores
•Pessoas com doenças autoimunes em tratamento
Nesses casos, microrganismos que normalmente não causariam problema podem representar risco maior.
De acordo com a MSD, as infecções ocorrem com mais frequência e tendem a ser mais severas em pessoas que:
•Estão enfraquecidas (debilitadas) por certos distúrbios graves
•Têm diabetes ou fibrose cística
•Estão hospitalizadas
•Têm um distúrbio que enfraquece o sistema imunológico, como infecção avançada pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV)
•Tomam medicamentos para suprimir o sistema imunológico, como aqueles usados para tratar câncer ou para evitar a rejeição de um órgão transplantada.
O que diz a empresa sobre os riscos
No comunicado divulgado divulgado em novembro, a fabricante afirmou que:
•O uso normal do produto, diluído na água da máquina de lavar, reduz drasticamente qualquer carga bacteriana
•Não há registro na literatura médica de infecção causada por roupas lavadas com detergentes domésticos, mesmo em cenários de contaminação
•A bactéria não se volatiliza, não é transportada por fragrâncias e não oferece risco por inalação
•O maior cuidado deve ser evitar contato direto e prolongado do produto concentrado com a pele, especialmente em pessoas imunossuprimidas com feridas abertas
A orientação é lavar as mãos após o manuseio e garantir que as roupas estejam bem enxaguadas e secas antes do uso.
O que motivou a recente decisão da Anvisa
Já a Anvisa afirma que, em inspeção feita na fábrica junto às vigilâncias sanitárias estadual e municipal, foram identificados descumprimentos relevantes em etapas críticas do processo produtivo, incluindo falhas nos sistemas de garantia da qualidade e controle.
Segundo a agência, esses problemas comprometem as Boas Práticas de Fabricação de saneantes e indicam risco sanitário pela possibilidade de contaminação microbiológica. Por isso, a medida não ficou restrita a lotes específicos: passou a abranger todos os produtos com lote terminado em 1 das categorias listadas na resolução publicada no Diário Oficial da União.
Fonte: G1 Globo

















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