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quinta-feira, 25 de junho de 2026

Tradição na venda de amendoim garante sustento de famílias e atravessa gerações em Feira de Santana



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Narrador Inteligente Ouvir Matéria

 


Adevaldo Moreira, mais conhecido como Vata do Amendoim, trabalha há 46 anos no ramo. Ele aprendeu o ofício com a mãe e hoje envolve a família na produção diária.

O cheiro do amendoim cozido que toma conta das ruas do bairro Queimadinha nas primeiras horas da manhã é um dos sinais mais tradicionais da chegada do São João em Feira de Santana, segunda maior cidade da Bahia.

No bairro conhecido por manter viva a cultura da iguaria, a produção vai além da culinária típica das festas juninas. Ela representa a principal fonte de renda de dezenas de famílias e uma tradição passada de geração em geração.

Ao longo dos anos, o trabalho deixou de ser apenas uma prática sazonal e passou a integrar a rotina de centenas de pessoas que vivem do preparo e da comercialização do produto. O ofício envolve desde o cozimento em grandes panelas até a venda nas ruas e pontos comerciais espalhados pela cidade.

Um dos comerciantes mais antigos na atividade é Adevaldo Moreira, mais conhecido como Vata do Amendoim. Há 46 anos no ramo, ele contou à equipe da TV Subaé que aprendeu o ofício com a mãe e transformou a venda da iguaria em profissão.

"Isso veio da mãe. Foi ela quem me ensinou e já vem de geração. A gente começou a trabalhar desde muito novinho. Como a gente não conseguiu estudar direito, tinha que trabalhar. Hoje, meu filho e minha esposa também trabalham com isso. A minha profissão é essa aqui", disse o comerciante.

Tradição na venda de amendoim garante sustento de famílias e atravessa gerações em Feira de Santana — Foto: TV Subaé


Segundo ele, a produção aumenta significativamente no período de São João, quando as encomendas se intensificam. "No mês de junho, a produção aumenta mais. Aí eu compro uns 10 ou 15 sacos para cozinhar, porque tem muita encomenda para fazer".

A rotina começa antes do amanhecer. Para dar conta da demanda, o comerciante acorda entre 3h30 e 4h da manhã para iniciar o preparo do amendoim, garantindo que o produto esteja pronto para abastecer os vendedores logo nas primeiras horas do dia.

"Sai quentinho da panela aqui para a banca. Tem cliente de todo canto, até do Ceará, que leva o amendoim para lá. Já tem gente que liga antes para fazer encomenda para a véspera de São João", contou Vata do Amendoim.

Tradição que movimenta a economia local

Com a chegada do São João, a procura pelo amendoim aumenta significativamente — Foto: TV Subaé


O amendoim é vendido durante todo o ano, mas os meses de maio, junho e julho concentram os melhores resultados para os comerciantes. No Caminho Rondônia, uma das localidades da Queimadinha, pelo menos 20 famílias têm na atividade sua principal fonte de renda.

A importância econômica da tradição é reconhecida pelo poder público. Ao g1, a secretária municipal de Trabalho, Turismo e Desenvolvimento Econômico (Settec), Márcia Ferreira, informou que a relação entre a Queimadinha e o amendoim é histórica.

"Quando se fala em Queimadinha e amendoim é porque ainda existe lá uma estrutura que foi construída para beneficiar as pessoas que trabalhavam com a venda do produto. A comercialização do amendoim é uma tradição nossa, independente do São João ou do São Pedro. É algo que acontece o ano inteiro", ressaltou a secretária.

Márcia destacou ainda que a venda da iguaria representa uma importante fonte de subsistência para muitas famílias feirenses.

Galpão marcou a história da atividade no bairro Queimadinha — Foto: Vinicius Gomes - PMFS


Parte dessa tradição foi fortalecida com a criação de um galpão comunitário inaugurado pela prefeitura em 2007, no próprio bairro. O espaço foi construído para organizar uma atividade que, até então, era realizada em panelões montados nas ruas da Queimadinha.

Em períodos de maior movimento, como o São João, as 35 bocas de cozimento do galpão chegaram a funcionar sem parar para atender a demanda. Dados divulgados pela prefeitura apontavam que cerca de 300 sacas de amendoim eram beneficiadas diariamente no local.

Na época, mais de 60 famílias estavam cadastradas na associação de comerciantes e aproximadamente 200 pessoas atuavam na venda do produto pelas ruas de Feira de Santana.

Ainda segundo a secretária, atualmente a estrutura não está em funcionamento devido a pedidos dos próprios moradores que relatavam atos de vandalismo no local. Ainda assim, o espaço continua sendo um símbolo da importância econômica e cultural da atividade para o bairro.

Fonte: G1 Globo 

Açaí Nova Cruz

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