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domingo, 5 de julho de 2026

O que Cabo Verde ensina ao Brasil contra a Noruega



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Narrador Inteligente Ouvir Matéria

 


O time já tinha vencido antes de entrar em campo, contra a Argentina, com um histórico de vitórias inéditas para contar. Ninguém é derrotado quando tem exata noção do tamanho do feito


Os jogadores voltaram ao seu país com uma homenagem gigante do povo - (crédito: AFP)


Vozinha é grandão. Aliás, todo o time de Cabo Verde é gigante. Vi o jogo de olhos vidrados, torcendo como se aquela seleção fosse a minha. Tornou-se a minha, a nossa. O Brasil abraçou o time, incorporou-se à sua torcida nativa e expandiu imensamente o alcance e a visibilidade do goleiro ágil, dono de defesas incríveis.

Vozinha é vozeirão. "Caímos de pé", ele disse. Entristecidos, mas orgulhosos. Cansados, mas muito gratos por tudo o que viveram. Talvez não haja nada mais bonito do que perder uma partida sem entregar o jogo. Não foram vencedores, mas não foram rendidos. 

Messi, com todo o seu talento inquestionável, não foi carrasco de Cabo Verde. Quem cai de pé não aceita humilhação. O time já tinha vencido antes de entrar em campo com um histórico de vitórias inéditas para contar. Ninguém é derrotado quando tem exata noção do tamanho do feito. Foi muito bonito e emocionante de ver.

Os jogadores chegam ao seu país com uma homenagem gigante do povo. Rolando as redes, me deparei com a angolana Rebeca Nessier, escritora e criadora de conteúdos sobre viagens e imigração, dizendo que o maior trunfo de Cabo Verde não foi levantar um troféu, foi levantar a autoestima de um povo. No fundo, futebol sempre foi isso para nós, brasileiros. Crescer com o sentimento de que somos referência em algo. A fama nos precede, mesmo sem ser uma Seleção imbatível, mesmo que a vergonha da última Copa tenha sido um tremendo baque e siga como fantasma.

Os cabo-verdianos e africanos em geral têm agradecido ao Brasil. Mas talvez sejamos nós que devemos agradecê-los. Em outra postagem bonita, Rebeca Nessier fez um reconhecimento aos brasileiros e disse algo que devemos lembrar: o melhor do Brasil não é o futebol, mas o coração. 

Hoje, nosso coração estará em campo e certamente teremos a torcida incansável de Cabo Verde vibrando junto. Como disse o presidente de Cabo Verde, José Maria Neves, o Brasil é um Cabo Verde grande. Eu espero que em qualquer situação sejamos grandes como Cabo Verde, que mesmo perdendo ganhou imenso respeito. Vou assistir ao jogo aqui, em Recife, onde vim participar do Facto Seminários que reuniu especialistas em economia, política e comunicação. Meu palpite é de que a Seleção Brasileira vai avançar para às quartas de final. E vocês estão confiantes?

Açaí Nova Cruz

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