Operação conjunta entre polícias do RJ e SP mira quadrilha que fornecia remédios roubados para hospitais públicos e privados
Esquema interestadual movimentou mais de R$ 33 milhões em um ano com a comercialização de remédios roubados - (crédito: Divulgação/Governo de São Paulo)x
A Polícia Civil do Rio de Janeiro (PCRJ) deflagrou, na manhã desta terça-feira (21/7), a Operação Metástase para desmontar uma organização criminosa especializada no roubo, desvio e comercialização ilegal de medicamentos oncológicos e imunossupressores de alto valor.
A ofensiva, realizada em conjunto com a Polícia Civil de São Paulo (PCSP) e com apoio de forças de segurança de outros estados, investiga um esquema interestadual que, segundo as apurações, movimentou mais de R$ 33 milhões em apenas um ano por meio de empresas de fachada. Até a atualização mais recente, cinco suspeitos haviam sido presos.
As investigações apontam que o grupo atuava desde o roubo das cargas até a revenda dos medicamentos, que eram reinseridos no mercado por meio de empresas de fachada e, em alguns casos, chegavam a abastecer hospitais privados e até instituições públicas de saúde por processos licitatórios na modalidade de tomada de preços. Ao oferecer produtos por valores abaixo dos praticados no mercado, a organização conseguia inserir mercadorias de origem criminosa na cadeia formal de distribuição.
No estado de São Paulo, a operação é coordenada pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), por meio da Divisão de Investigações sobre Furtos, Roubos e Receptações de Veículos e Cargas (Divecar).
No território paulista, são cumpridos 26 mandados de busca e apreensão e um de prisão nas cidades de São Paulo, Guarulhos, Guarujá, Jundiaí, São Caetano do Sul e Mauá. A ação mobiliza mais de 100 policiais civis paulistas, além de 15 agentes da Polícia Civil fluminense.
Ao mesmo tempo, equipes da Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas da Capital (DRFC-CAP) cumprem dezenas de mandados de prisão e de busca e apreensão no Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio, na Baixada Fluminense e em endereços de São Paulo, Goiás e Pará.
Também foram solicitados à Justiça o bloqueio de R$ 30 milhões em contas bancárias e o sequestro de imóveis, veículos de luxo e outros bens utilizados para ocultar o patrimônio da quadrilha.
Durante a operação, diversos medicamentos de alto custo foram recuperados. Em um dos endereços vistoriados, os policiais apreenderam ainda três armas de fogo, o que levou à prisão em flagrante do responsável pelo armamento.
O investigado que era alvo do mandado de prisão também foi localizado e encaminhado ao Deic, enquanto as diligências prosseguem para identificar outros envolvidos e ampliar o conjunto de provas.
As apurações da DRFC-CAP indicam que a organização participou de pelo menos 20 roubos de cargas de medicamentos nos últimos seis meses. A investigação também identificou uma estrutura dividida em diferentes núcleos, responsáveis pelas ações armadas, pela logística, pelo armazenamento, pela distribuição e pela lavagem dos recursos obtidos com os crimes.
Segundo a PCRJ, após os assaltos, os medicamentos eram levados para áreas controladas pelo Terceiro Comando Puro (TCP), no Complexo da Maré, onde a carga era redistribuída. A facção fornecia suporte territorial e proteção aos criminosos, enquanto outro núcleo armazenava, fracionava e enviava os produtos para receptadores em diversos estados.
Para ocultar a origem dos medicamentos, o grupo utilizava empresas de fachada, transportadoras, entregadores e "laranjas". As investigações também revelaram que integrantes da quadrilha aliciavam funcionários de transportadoras para obter informações privilegiadas sobre rotas e cargas.
Ao todo, cerca de 25 empresas de fachada, distribuídas entre Rio de Janeiro, São Paulo, Goiás e Pará, integrariam a estrutura financeira da organização. A polícia também identificou o apontado líder do grupo, descrito como um criminoso com longo histórico de envolvimento em roubos de cargas.
De acordo com os investigadores, o esquema representa riscos que vão além dos prejuízos financeiros. Medicamentos oncológicos e imunossupressores exigem rígido controle de temperatura e armazenamento, e o transporte inadequado pode comprometer a eficácia dos produtos, provocar contaminações e colocar pacientes em risco.
Além disso, o desvio dessas cargas pode afetar o abastecimento de hospitais e comprometer tratamentos de pessoas com câncer, transplantados e pacientes com doenças autoimunes.
A investigação foi conduzida ao longo de vários meses e envolveu análise de imagens de câmeras de segurança, monitoramento da atuação do grupo, cruzamento de dados telemáticos, fiscais e financeiros e rastreamento das cargas roubadas. O material reunido embasou os pedidos de medidas cautelares autorizadas pela Justiça.
Para o delegado Paul Verduraz, responsável pela Divecar, da PCSP, a integração entre as forças de segurança é fundamental para enfrentar esse tipo de crime.
“Além de atingir financeiramente as organizações criminosas, essa operação busca impedir que medicamentos de alto custo, destinados ao tratamento de pacientes, sejam desviados e comercializados de forma ilegal, colocando vidas em risco.”
Fonte: Correio Braziliense







.gif)









