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domingo, 30 de agosto de 2026

‘A musculação mudou a minha vida’: exercícios na academia melhoram a força muscular e dão mais autonomia aos idosos



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Narrador Inteligente Ouvir Matéria

 



Atividade pode controlar algumas doenças e também melhorar a vida social dos mais velhos




Maria José Freitas da Silva, de 66 anos, faz musculação há seis anos — Foto: Maria José Freitas / Arquivo pessoal


Algumas academias estão tendo seu cenário alterado. Pessoas com 60 anos ou mais dividem os aparelhos com frequentadores mais jovens. Longe de ser apenas a busca por resultados estéticos, a prática tem sido uma importante ferramenta no fortalecimento dos músculos, resgate da autonomia e melhora na saúde mental dos mais velhos, além de estimular a convivência e interação entre gerações.

A especialista em gerontologia Talita Cezareti destaca que a musculação é um treinamento resistido, muito eficaz para o aumento da força e massa muscular em idosos, sendo considerada um pilar estratégico e importante para o envelhecimento saudável.

— A musculação também auxilia no controle de doenças como diabetes, doenças cardiovasculares, câncer e osteoporose. Além de ser uma aliada na prevenção de quedas, pois preserva e aumenta a força e potência muscular, aspectos fundamentais para a mobilidade e para que o corpo do idoso consiga responder melhor a algumas situações inesperadas causadas pelo desequilíbrio.

A aposentada Maria José Freitas da Silva, de 66 anos, faz musculação há seis anos e afirma que os exercícios mudaram sua vida e que, desde que começou a frequentar a academia, se sente mais disposta.

— Eu tinha muitas dores no corpo antes de começar a fazer musculação. Minha coluna e meu ciático, nossa, doíam demais. Agora, graças à musculação, nada dói mais — conta ela que treina às segundas, quartas e sextas. — Eu me sinto muito bem. Tenho bastante mobilidade, que eu não tinha antes. Eu consigo me abaixar, pegar peso, sentar e levantar sem qualquer dificuldade, faço tudo sozinha, sem a ajuda de ninguém.

Segundo Maria, a musculação tem sido a base para a prática de outras atividades físicas que fazem parte de sua rotina, como a dança, o pilates e a corrida. Nos dias em que não frequenta a academia, às terças e quintas, ela costuma correr sozinha cerca de 6 quilômetros.



Musculação fortalece a mente e o corpo

O fisioterapeuta Elder Reis destaca que o objetivo da musculação na academia na terceira idade é fortalecer a mente e o corpo do idoso. Fazer com que ele seja capaz de realizar as atividades naturais com equilíbrio e sem ajuda.

Ainda segundo o especialista, a atividade estimula a liberação de hormônios ligados ao bem-estar e contribui para que o idoso perceba sua própria capacidade de realizar tarefas de forma mais independente.

— Quando o idoso pratica exercício, fica cheio de dopamina e, além disso, percebe que consegue completar uma atividade, fortalecendo os músculos. Se sente mais feliz e independente. Com mais força física, o idoso deixa de depender tanto de uma pessoa mais jovem para ajudá-lo a ir ao banco ou até fazer coisas básicas como subir uma escada, andar ou levantar da cama, por exemplo — explica o profissional.

Outro ponto levantado pelos profissionais é a importância da musculação para a saúde mental dos idosos que, muitas vezes, acabam ficando isolados em casa e possuem um ciclo social restrito a poucos vizinhos, filhos e parentes. A academia se torna muito importante para a convivência e socialização.

— A interação na academia é importante porque alguns idosos acabam ficando isolados em casa, fazendo sempre as mesmas atividades. Na academia, eles têm a oportunidade de fazer amizades e vínculos com pessoas da mesma faixa etária ou mais jovens. Pessoas com mais de 60 anos ainda têm muito o que contribuir para a sociedade, e é importante que eles sintam isso — afirma.


Maria José Freitas da Silva, de 66 anos, faz musculação há seis anos — Foto: Maria José Freitas / Arquivo pessoal


Maria relata que sua saúde mental está muito melhor desde que começou a praticar musculação.


— Sinto que a musculação também ajuda a minha saúde mental. A minha memória é muito boa, melhor do que a da minha filha mais nova — brinca se referindo à Lorrane, sua filha caçula, de 24 anos. Além da jovem, Maria tem outros quatro filhos: Marizete, de 44 anos; Renata, de 42 anos; Mariana, de 40 e Roberto, de 36 anos. — Eu que lembro de tudo lá em casa. E, claro, além disso, me sinto muito saudável mentalmente. Mais feliz. Por isso que eu acredito que o exercício físico é o melhor remédio para os idosos, não tem coisa melhor.

Sobre os cuidados a serem tomados durante os exercícios, Elder ressaltou a importância de uma orientação médica logo no começo para garantir que o idoso esteja apto a fazer a musculação.

— Se o idoso está com aptidão para fazer a prática esportiva, então, tudo bem. Uma caminhada leve na esteira, sem grau de inclinação, para ele poder começar a sentir o próprio corpo. E, depois, como auxílio de um profissional de atividade física, pode fazer atividades com os aparelhos — disse. — É preciso observar quais exercícios funcionam e quais devem ser adaptados ou substituídos.

Segundo Elder, a qualidade dos exercícios realizados é mais importante do que a quantidade ou o tempo que o idoso permanece na academia. Os exercícios propostos precisam fazer sentido para a necessidade do idoso e é possível alternar exercícios de musculação com o cardio na esteira.


Fonte: Extra Globo 

Açaí Nova Cruz

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