O senador e candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro Imagem: Diego Vara/Reuters
O ministro André Mendonça, do STF, determinou em julho a abertura de um inquérito para investigar a atuação de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no financiamento do "Dark Horse", filme sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A investigação veio à tona hoje, após Mendonça levantar o sigilo de 15 procedimentos envolvendo o caso do Banco Master que estão sob sua relatoria. A decisão foi tomada na noite de ontem, após solicitação feita pelo presidente da Corte, ministro Edson Fachin.
Também são investigados o ex-deputado Eduardo Bolsonaro e o deputado federal Mario Frias (PL-SP). Decisão de Mendonça autorizou a Polícia Federal a apurar suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção.
Para a PF, Flávio Bolsonaro não aparece apenas como citado por terceiros. Os investigadores ressaltam que houve cobranças feitas diretamente pelo senador a Vorcaro, à época controlador do Master.
Esse inquérito continua sob sigilo, já que ainda está em caráter preparatório para eventuais diligências investigativas. Outros, em que já houve medidas como prisões e buscas, tiverem documentos tornados públicos nesta madrugada.
Entenda a quebra de sigilo
Mendonça liberou os procedimentos que ele entende terem relação com: o ministro Alexandre de Moraes (o contrato entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro); do BRB-Master, e do vazamento de dados sigilosos, que envolvem servidores do Banco Central.
Também foram tornados públicas inquéritos sobre "A Turma" e "Os Meninos". "A Turma" é a suposta milícia que seria encarregada de ameaças a pessoas consideradas adversárias ou ligadas às apurações contra o Master e que buscava acesso clandestino a informações de Estado. "Os Meninos" era o suposto núcleo tecnológico voltado a ataques cibernéticos e derrubada de perfis em redes sociais.
Investigação sobre influenciadores contratados para disseminar uma narrativa favorável a Daniel Vorcaro e ao Master e contrária ao Banco Central também foram liberadas. A apuração da PF é sobre quem participou dessa estrutura, quem a financiou e se a atuação configura organização criminosa ou outros delitos.
Outros processos não foram liberados, como o caso que envolve o filme "Dark Horse", sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Também não foram tornados públicos os braços das investigações que envolvem políticos — como os casos em que aparecem os nomes dos senadores Ciro Nogueira (PP-PI) e Jaques Wagner (PT-BA), por exemplo.
A investigação
O contrato de financiamento do filme encontrado no celular de Vorcaro previa US$ 24 milhões em 14 parcelas. O valor equivalia, à época, a cerca de R$ 134 milhões.
O dinheiro saía da Entre Investimentos e Participações e chegava ao Havengate Development Fund. A empresa brasileira é ligada ao investidor Antônio Carlos Freixo Júnior.
O Banco Master aplicou cerca de R$ 614 milhões em empresas do grupo, segundo a representação policial —nesta semana, o ministro André Mendonça homologou a delação do empresário Freixo, que operava remessas de dinheiro ao exterior para Vorcaro.
O fundo Havengate, que recebeu o dinheiro, foi criado em 2020 para um condomínio no Texas que prometia green card a investidores brasileiros. Como mostrou o site Intercept, o empreendimento imobiliário nunca começou. A gestora do fundo cancelou seu registro como gestora regulada de investimentos no Texas e na Flórida em 2021, quando as obras deveriam estar em andamento, segundo o cronograma do próprio projeto. O fundo passou quase quatro anos sem atividade pública registrada, até receber a primeira remessa de US$ 2 milhões em fevereiro de 2025.
Por que Mendonça derrubou o sigilo
A decisão foi assinada na noite de ontem (10) e atende a uma solicitação do presidente do STF, ministro Edson Fachin. Mendonça tirou o segredo de Justiça da Petição 15.556, que resultou na prisão do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, e de outros 14 procedimentos relacionados ao caso.
Entre os processos liberados estão dois inquéritos e petições em andamento. A liberação inclui os inquéritos de número 5.026 e 5.035. A pedido de Fachin, Mendonça também irá enviar o material em HD próprio para o gabinete do presidente da corte e dos demais ministros.
"Em harmonia à solicitação formulada pelo eminente Presidente, Ministro Edson Fachin, promovo o levantamento do sigilo dos autos da PET nº 15.556 e dos procedimentos contidos ou relacionados."
Ministro André Mendonça do STF
As exceções serão apenas para diligências cujo sigilo seria "imprescindível".
Fonte: Uol







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