A campanha eleitoral de 2026 em Macajuba deixou, além da disputa nas urnas, uma série de episódios que merecem ser debatidos publicamente. Denúncias, acusações, conflitos políticos e embates que ultrapassaram o espaço institucional marcaram os últimos dias da campanha.
Este editorial reúne relatos e fatos que foram apresentados à reportagem, distinguindo acusações ainda não comprovadas de situações que tiveram manifestação pública dos envolvidos.
Moto com músicas de candidatos gera questionamentos
Durante a campanha, segundo relatos recebidos, uma motocicleta supostamente ligada a prepostos da Prefeitura teria circulado pelo município reproduzindo músicas de candidatos apoiados pelo prefeito Luciano de Noé (PSD), inclusive fora de eventos eleitorais.
Segundo os relatos, denúncias teriam sido feitas à Polícia Militar, mas os denunciantes afirmam que não houve uma resposta que interrompesse a situação.
É importante destacar que a simples circulação de uma motocicleta com propaganda eleitoral não permite concluir, por si só, que houve irregularidade. A legislação eleitoral estabelece regras específicas para propaganda, bens públicos e condutas de agentes públicos, e eventual irregularidade depende das circunstâncias e das provas.
Suspeitas de compra de votos
Outro episódio que chamou atenção envolve suspeitas de compra de votos. Segundo informações que chegaram à reportagem, o vereador Miguel Pamponet (AGIR) teria informado ao prefeito Luciano de Noé que funcionários da Prefeitura estariam tentando vender o voto.
Ainda segundo os relatos, dois funcionários teriam sido afastados após o episódio.
Reuniões com o Prefeito muncipal e funcionários da Prefeitura aconteceram afim de esclarecer e pressionar.
Um deles teria publicado uma fotografia em seu status afirmando que continuava junto com o prefeito e, posteriormente, teria sido acusado de tentar aplicar um golpe envolvendo uma caixa.
Por se tratar de acusações, os fatos precisam ser tratados com cautela e não podem ser apresentados como crimes comprovados sem investigação e decisão das autoridades competentes.
O próprio TSE define captação ilícita de sufrágio como oferta, promessa ou entrega de vantagem pessoal com a finalidade de obter voto. A Corte também ressalta que situações dessa natureza precisam ser demonstradas por elementos de prova.
Câmara Municipal vira palco de embates políticos
A tensão eleitoral também chegou à Câmara Municipal de Macajuba.
Durante uma sessão, ocorreram fortes discussões envolvendo os vereadores Isack Soares (PSD) e Fabrizzia (PT), de um lado, e Sandrinho (PSD, Célio Pai Véi(PSD e Vanessa Azevedo(PSD), do outro, conforme os relatos recebidos.
O ambiente político acabou extrapolando os debates da Câmara. Segundo informações acompanhadas pela reportagem, Allison Santana (MDB) também fez críticas direcionadas a Miguel Pamponet, que não estava presente na sessão.
Posteriormente, as discussões teriam migrado para os status do WhatsApp dos próprios vereadores, com troca de provocações que ultrapassaram o debate estritamente político e entraram no campo pessoal.
Quando o debate político perde o limite
A campanha eleitoral deveria ser, acima de tudo, um momento para apresentar propostas, discutir problemas do município e permitir que o eleitor conheça as posições dos candidatos.
Quando denúncias de possíveis irregularidades, acusações de compra de votos, utilização de estruturas ligadas ao poder público e brigas pessoais passam a ocupar o centro da disputa, o debate sobre propostas acaba ficando em segundo plano.
O TSE estabelece que as regras eleitorais existem justamente para preservar a liberdade do voto, a legitimidade das eleições e a igualdade entre os concorrentes. Entre os ilícitos previstos estão abuso de poder, corrupção, captação ilícita de sufrágio e condutas vedadas a agentes públicos.
O eleitor macajubense tem o direito de saber o que aconteceu, mas também tem direito à informação responsável: denúncia não é condenação, acusação não é prova e disputa política não pode substituir investigação.
A chamada “banda podre” da campanha não deve ser entendida como uma acusação contra todo o processo eleitoral ou contra todos os envolvidos. O termo, neste editorial, se refere aos episódios e comportamentos questionados durante a campanha, que precisam ser esclarecidos pelas autoridades competentes quando houver indícios de irregularidade.
No fim, cabe ao eleitor analisar os fatos, acompanhar as propostas e tirar suas próprias conclusões diante das urnas.
Deixa Comigo Macajuba 15 anos — O Jornal do Povo Macajubense.






.gif)









