O câncer de mama é o segundo tumor mais diagnosticado no mundo e representa cerca de 2,4 milhões de novos casos por ano Imagem: iStock
Um caroço no seio costuma ser o sinal mais lembrado quando se fala em câncer de mama, mas a doença pode aparecer de outras formas, como alterações na pele, no mamilo ou secreção espontânea. Reconhecer essas mudanças e saber a diferença entre investigação de sintomas e rastreamento são passos importantes para chegar ao diagnóstico mais cedo.
Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer de mama feminina é o mais incidente no Brasil. Para o triênio 2026-2028, o Inca (Instituto Nacional de Câncer) estima 78.610 novos casos por ano no país.
Em 2024, foram estimados 20,6 milhões de novos casos de câncer no mundo, segundo o Globocan, levantamento da Iarc (Agência Internacional de Pesquisa em Câncer), ligada à OMS. Até 2050, esse número pode chegar a 34,4 milhões, um aumento de 67%. Entre os tumores mais frequentes, o câncer de mama feminino aparece em segundo lugar, com 11,8% dos novos diagnósticos, atrás apenas do câncer de pulmão. O cenário reforça o peso da doença, responsável por cerca de 2,4 milhões de novos casos no mundo em 2024.
Quais são os sinais do câncer de mama?
O nódulo é o sintoma mais comum. Em geral, merece atenção quando apresenta consistência endurecida, é fixo ou aumenta de tamanho. Mas ele não é a única pista.
Também podem surgir:
- pele com aspecto de casca de laranja;
- retração da pele ou do mamilo;
- mudança no formato do mamilo;
- saída espontânea de secreção pelo mamilo, principalmente quando há sangue;
- aumento progressivo do tamanho da mama;
- nódulos endurecidos nas axilas ou no pescoço.
Essas alterações não significam necessariamente câncer, mas precisam ser investigadas. Um ponto importante é não esperar sentir dor. O câncer de mama pode provocar poucos sintomas no início, e o nódulo costuma ser indolor. Por isso, qualquer mudança persistente ou diferente do padrão habitual das mamas merece atenção.
No SUS, a mamografia de rastreamento é indicada a cada dois anos para mulheres de 50 a 74 anos Imagem: iStock
Quando começa o rastreamento no SUS?
O Ministério da Saúde recomenda a mamografia de rastreamento no SUS para mulheres de 50 a 74 anos, a cada dois anos. Essa é a faixa considerada prioritária para o rastreamento populacional, com base nas evidências disponíveis sobre redução da mortalidade, segundo o órgão.
Mulheres entre 40 e 49 anos e acima de 74 anos, sem sinais ou sintomas suspeitos, também têm o acesso à mamografia pelo SUS. Elas podem realizar o exame por demanda, desde que recebam orientação de um profissional sobre possíveis benefícios e riscos.
Já mulheres no grupo de alto risco, com histórico familiar importante, mutações genéticas associadas ao câncer de mama ou histórico pessoal da doença, devem iniciar a rotina aos 30 anos. Já quem percebe um nódulo ou outra alteração deve procurar atendimento independentemente da idade.
Vale ressaltar que a recomendação vale também para homens trans e pessoas não binárias designadas como sexo feminino ao nascer, que mantêm as suas mamas.
E o autoexame?
O autoexame deixou de ser recomendado como estratégia isolada de rastreamento. Estudos não demonstraram redução da mortalidade com sua realização sistemática.
Isso não significa ignorar as próprias mamas. A recomendação atual valoriza o autoconhecimento, permitindo perceber mudanças fora do padrão habitual. Se aparecer um caroço, alteração da pele, retração do mamilo ou secreção espontânea, a orientação é procurar avaliação médica.
A mamografia continua sendo a principal ferramenta de rastreamento populacional no SUS. Já o reconhecimento dos sinais ajuda a identificar casos suspeitos fora do contexto dos exames de rotina. São estratégias diferentes, mas complementares na detecção precoce do câncer de mama.
Fonte: Uol







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