Denúncias de abuso e exploração sexual infantil na internet correspondem a 64% de todas as queixas de crimes cibernéticos
Antônio Cruz/Agência Brasil
A cada três dias, a Polícia Federal resgata pelo menos uma criança ou adolescente vítima de crimes de abuso sexual pela internet. Em 2024 e 2025, a corporação realizou 2.201 operações e socorreu 222 jovens.
De um ano para o outro, os registros cresceram: as operações aumentaram 5,8% em 2025, enquanto o número de vítimas resgatadas subiu 24%.
Os dados são da Diretoria de Combate a Crimes Cibernéticos da Polícia Federal, que também contabiliza as prisões realizadas no período. Em 2025, foram 353 prisões em flagrante e 97 preventivas.
Apesar do avanço nas ações e no número de vítimas identificadas, houve queda nas prisões em relação a 2024. No ano passado, as detenções em flagrante recuaram 3,9%, e as preventivas tiveram redução mais acentuada, de 32%.
Dados divulgados pela SaferNet mostraram que, entre 1º de janeiro e 31 de julho do ano passado, o país registrou 49.336 denúncias anônimas de abuso e exploração sexual infantil na internet. As denúncias correspondem a 64% de todas as queixas de crimes cibernéticos recebidas pela associação no período.
Arte/ Luce Costa
Em outubro do ano passado, a polícia prendeu em São Paulo João Paulo Manuel, conhecido como “Capitão Hunter”, que produzia conteúdo para o público infantojuvenil. O influenciador tem mais de 1 milhão de seguidores nas redes sociais.
Ele é suspeito de cometer crimes sexuais contra uma adolescente. Trocas de mensagens mostram que ele chegou a enviar imagens pornográficas para a menina.
Para a polícia, o homem se valia da fama para cometer estupro de vulnerável contra menores. Ele foi preso em Santo André, no ABC Paulista. As investigações começaram no Rio de Janeiro, quando a mãe de uma menina de 13 anos denunciou trocas de mensagens com conteúdo pornográfico.
Adultização
Com o crescimento da exploração sexual de crianças e adolescentes no ambiente virtual, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou no ano passado o PL (Projeto de Lei) da Adultização, também chamado de ECA Digital, que cria regras para proteger crianças na internet.
A lei exige maior responsabilidade das grandes empresas de tecnologia, as chamadas big techs, na proteção de crianças e adolescentes no ambiente virtual.
Entre as medidas previstas estão a remoção de conteúdo prejudicial a crianças e adolescentes, a proibição de acesso a conteúdos pornográficos e o bloqueio da comunicação entre crianças e adultos não autorizados.
O texto também determina que a fiscalização da nova lei de proteção de crianças e adolescentes em ambientes digitais ficará a cargo da ANPD (Agência Nacional de Proteção de Dados).
Como denunciar
Para denunciar páginas que contenham imagens de abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes, basta acessar a Central Nacional de Denúncias da Safernet Brasil, que é conveniada com o Ministério Público Federal.
Em caso de suspeita de violência sexual, deve ser acionado o Disque 100.
Fonte: Notícias R7 Brasília

















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