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segunda-feira, 15 de junho de 2026

Por que Endrick não foi escalado? Ancelotti reavalia ataque após estreia



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Decisivo em amistosos, ex-palmeirense continua no banco. A escolha de Ancelotti por Igor Thiago como titular na estreia contra Marrocos causou surpresa


Endrick em treino da Seleção no Columbia Park, em Nova Jersey: brasiliense na fila, atrás do conterrâneo, para estrear na Copa do Mundo - (crédito: Mauro Pimentel/AFP)


Nova Jersey — Quando a Seleção Brasileira precisou de um herói na estreia de Dorival Júnior, em Wembley, Endrick apareceu e garantiu a vitória por 1 x 0 sobre a Inglaterra. Dias depois, mostrou personalidade para marcar no empate por 3 x 3 com a Espanha, no Santiago Bernabéu. O garoto de 19 anos, nascido em Taguatinga e criado em Valparaíso de Goiás, voltou a ser decisivo contra o México e, recentemente, evitou a derrota para o Egito no último amistoso antes da Copa do Mundo. Nada disso, porém, foi suficiente para convencer Carlo Ancelotti a utilizá-lo sequer por um minuto no empate por 1 x 1 com Marrocos, na estreia do Grupo C. O roteiro foi bem diferente para o conterrâneo Igor Thiago. Também estreante em Copas, o atacante registrado no Gama e com raízes na Cidade Ocidental começou jogando, teve oportunidades para marcar e permaneceu em campo por 62 minutos. Endrick assistiu a tudo do banco.

A escolha de Ancelotti por Igor Thiago como titular causou surpresa. Os testes realizados nos dias anteriores apontavam Matheus Cunha como favorito para formar o trio ofensivo ao lado de Vinicius Junior e Raphinha. Caiu nos pés do brasiliense a oportunidade. Ele não a agarrou. Teve duas chances claras para colocar o Brasil em vantagem e dar mais tranquilidade à estreia. Na primeira, perdeu o timing da cabeçada, após cruzamento de Vinicius. Na segunda, no retorno do intervalo, finalizou para defesa de Bono.

Pouco para quem desembarcou nos Estados Unidos credenciado por uma temporada de elite: 22 gols e o posto de vice-artilheiro da Premier League, atrás apenas de Erling Haaland. Igor atribuiu a falta de pontaria à tensão da estreia no estádio, diante de mais 80 mil espectadores e de mais de 200 milhões de brasileiros atentos às telas. "Posso dizer que sim (a ansiedade atrapalhou), porque a maioria aqui está na primeira Copa. Os mais velhos têm nos abraçado e nos colocado na direção certa. No final, tudo vai dar certo", minimizou.

Ancelotti apostou em uma ruptura para a estreia. Abriu mão do 4-4-2 utilizado nos compromissos anteriores e lançou um 4-3-3 com quatro jogadores disputando uma Copa do Mundo pela primeira vez — Gabriel Magalhães, Douglas Santos, Ibañez e Igor Thiago. A informação é de que a mudança foi anunciada aos jogadores horas antes da partida. Resultado: o Brasil passou boa parte do primeiro tempo desorganizado, vulnerável pelos lados do campo e incapaz de controlar as ações diante de Marrocos. O treinador corrigiu parte dos problemas no intervalo, mas demorou a promover novas mudanças e deixou passar a oportunidade de recorrer a Endrick, justamente um dos jogadores mais decisivos da equipe nos amistosos preparatórios.

Nitidamente incomodado com o empate, o italiano foi questionado na entrevista coletiva sobre a ausência do atacante de 19 anos. Preferiu não individualizar a análise e evitou explicar por que deixou o brasiliense durante os 90 minutos no banco de reservas. "Não estou aqui para falar individualmente de um jogador, falo da equipe. A equipe no primeiro tempo não jogou bem, no segundo tempo foi melhor. Tivemos algumas oportunidades. Temos que acertar mais", esquivou-se.

Critérios

Há quem defenda que Copa do Mundo é para jogadores em melhor fase e para aqueles capazes de aproveitar uma única oportunidade. Se esses fossem os únicos critérios de Ancelotti, Endrick poderia até sonhar com a titularidade. Aos 19 anos, o brasiliense soma quatro gols e duas assistências pela Seleção Brasileira. Mais do que isso: o Brasil jamais foi derrotado quando ele participou diretamente de um gol. A discussão não passa necessariamente por escolher entre um ou outro. As características dos dois atacantes são complementares.

Mais móvel, Endrick costuma recuar para participar da construção das jogadas e atacar espaços deixados pela defesa adversária. Igor Thiago atua mais próximo da área e oferece presença física. Não por acaso, a dupla funcionou contra a Croácia: Endrick sofreu o pênalti convertido por Igor Thiago. Diante do Panamá, os dois também dividiram o ataque, em um dos melhores momentos ofensivos da Seleção neste ciclo.

Os números ajudam a explicar a inquietação provocada pela ausência de Endrick. Levantamento do Super Score mostra que, entre os convocados para a Copa do Mundo com pelo menos 10 partidas pela Amarelinha, ninguém precisa de menos tempo para balançar as redes. Endrick marca um gol a cada 122 minutos em campo. Neymar aparece logo atrás, com média de 135 minutos por gol. Raphinha necessita de 245; Lucas Paquetá, de 277; Vinicius Júnior, de 359.

A atuação contra Marrocos dificilmente passará ilesa pela prancheta de Ancelotti. O treinador tem cinco dias para corrigir rumos e promover ajustes antes do duelo contra o Haiti, na sexta-feira, às 21h30, na Filadélfia.

Fonte: Correio Brazilienze 

Açaí Nova Cruz

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